Garrafas do melhor champanhe francês, mesas cheias de canapés e sanduíches, balões, faixas e música. Stephen Hawking, o famoso físico teórico da Universidade de Cambridge, tinha tudo pronto para dar a festa do século em junho de 2009. “Fiquei esperando um bom tempo, mas ninguém veio”, explicou ele alguns anos depois. Ele não se surpreendeu muito, sobretudo porque só enviou os convites quando a festa já tinha terminado.
E não por descuido: a festa de Hawking foi a primeira grande celebração dedicada especificamente aos viajantes do tempo.
Em 1992, Hawking já havia proposto que as viagens no tempo eram impossíveis. Assim, aquela festa ao entardecer nos pântanos do rio Cam foi metade experimento para demonstrar que os viajantes do tempo não existem e metade “trollagem” a todos que acreditam nesse tipo de coisa.
Na verdade, foi uma brincadeira inserida na polêmica histórica sobre as viagens no tempo. Pelo que sabemos, todos os viajantes do tempo poderiam estar no pub em frente rindo do pobre Hawking e de suas velhas ideias anti-viagem. Não é provável, mas, hoje em dia, não podemos descartar completamente essa hipótese.
Tudo (não) está na internet
O caso do físico inglês não foi a única tentativa de procurar viajantes no tempo. Alguns anos depois, em 2014, uma equipe de físicos do Instituto Tecnológico de Michigan usou a internet e as redes sociais para buscar pistas sobre possíveis viagens.
Não se tratava de procurar pessoas que se definissem como “viajantes no tempo”, mas sim rastrear sinais de clarividência. Ou seja, indícios de pessoas que sabiam coisas antes de elas acontecerem. A ideia era encontrar mensagens inequívocas sobre fatos ainda desconhecidos e suficientemente significativos para que acabassem registrados nos livros de história do futuro.
Eles definiram dois fatos que cumpriam essas três características: o cometa ISON e o nome que Jorge Bergoglio escolheria durante seu papado, Francisco. A busca, nem preciso dizer, foi infrutífera. Apenas no caso do papa Francisco encontraram uma referência anterior à escolha do nome, mas, após analisá-la, descobriram que se tratava de um texto meramente especulativo.
É possível viajar no tempo? A resposta curta é: não sabemos. A resposta longa é que, embora pareça algo banal, os debates sobre a possibilidade das viagens no tempo continuam sendo, ainda hoje, um tema muito polêmico. E continuam assim por um motivo muito simples: não há nada em nossas teorias científicas sobre o universo que proíba, por si só, esse tipo de viagem. Daí ser um campo fascinante, repleto de teorias, objeções e contra-objeções.
Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.
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