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9, 32, 66 e 83 anos: estudo revela que estas são as 4 idades em que o nosso cérebro entra em uma nova era

Pesquisa da Universidade de Cambridge identifica quatro pontos de virada na organização do cérebro 

Imagem foca em uma mulher de meia idade e cabelos lisos e brancos na altura do ombro caminhando com um livro e um copo de café na mão.
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Natália P. Martins

Redatora

Um estudo da Universidade de Cambridge identificou quatro momentos da vida em que a organização das conexões do cérebro muda de forma significativa: por volta dos 9, 32, 66 e 83 anos. A análise mostra que o desenvolvimento cerebral não acontece de maneira linear, mas passa por diferentes fases ao longo da vida. 

Para chegar ao resultado, os pesquisadores analisaram exames de ressonância magnética por difusão de 3.802 pessoas entre 0 e 90 anos. Esse tipo de exame permite observar como diferentes regiões do cérebro estão conectadas. 

Pesquisa chegou às cinco eras do cérebro

Os quatro pontos de virada dividiram a vida cerebral em cinco grandes períodos:

  • 0 a 9 anos: infância;
  • 9 a 32 anos: adolescência;
  • 32 a 66 anos: idade adulta;
  • 66 a 83 anos: envelhecimento precoce;
  • A partir dos 83 anos: envelhecimento tardio.  

Os pesquisadores ressaltam que essas idades representam médias encontradas na população estudada, e não limites rígidos que provocam uma mudança repentina no cérebro de cada pessoa.

Dos 0 aos 9 anos, o cérebro organiza suas conexões

Na primeira fase, o cérebro passa por uma intensa reorganização das conexões. As redes mais utilizadas são fortalecidas, enquanto outras são eliminadas, processo conhecido como poda neural.

É também nesse período que crescem e amadurecem diferentes estruturas cerebrais, incluindo a substância branca percebida no exame, formada principalmente por fibras nervosas que funcionam como vias de comunicação entre diferentes regiões do cérebro. Por volta dos 9 anos, essa trajetória muda e começa uma nova fase de desenvolvimento.

Dos 9 aos 32 anos, o cérebro fica mais eficiente

A segunda fase é marcada pelo refinamento das redes neurais. A substância branca continua se desenvolvendo e as conexões entre diferentes regiões tornam-se mais eficientes, permitindo uma comunicação mais organizada dentro do cérebro.

Segundo os pesquisadores, essa é a única fase em que a eficiência das redes aumenta progressivamente. 

“A eficiência neural é, como se pode imaginar, uma rede bem conectada por vias curtas, e a adolescência é o único período em que essa eficiência aumenta”, explica Alexa Mousley, bolsista da Fundação Gates em Cambridge, que liderou a pesquisa publicada na revista científica Nature Communications.

Por volta dos 32 anos ocorre a mudança mais significativa identificada pelo estudo, dando início à fase adulta.  

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Dos 32 aos 66 anos, chega a fase mais estável

A partir dos 32 anos, o cérebro entra no período mais longo da análise. Entre essa idade e os 66 anos, não foram observadas grandes mudanças na trajetória geral da organização cerebral.

Isso não significa que o cérebro pare de mudar, as redes continuam se reorganizando, mas passam a apresentar maior especialização e compartimentalização, enquanto a arquitetura geral permanece relativamente estável.  

Aos 66 anos começa uma nova fase

Por volta dos 66 anos, os pesquisadores identificaram outro ponto de inflexão. A mudança é mais gradual do que aquela observada aos 32 anos e está relacionada a alterações na organização das redes cerebrais.

Nesse período, as fibras que formam a substância branca — responsáveis por conectar diferentes áreas do cérebro — começam a apresentar maior deterioração. Com isso, a comunicação entre algumas regiões pode se tornar menos eficiente. O estudo também relaciona essa fase ao aumento da vulnerabilidade a condições que podem afetar o cérebro, como a hipertensão.

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Depois dos 83 anos, conexões ficam mais concentradas

O último ponto de virada aparece por volta dos 83 anos. A partir daí, a conectividade global do cérebro diminui ainda mais e algumas regiões passam a assumir um papel mais importante na comunicação.

Os pesquisadores descrevem uma transição de uma organização mais integrada para outra em que redes e regiões locais se tornam mais importantes. No entanto, os dados dessa fase são mais limitados porque havia menos participantes muito idosos na amostra.

Idades não funcionam como um relógio cerebral

Apesar dos números chamarem atenção, o estudo não indica que uma pessoa terá uma transformação cerebral exatamente ao completar 9, 32, 66 ou 83 anos.

Os pesquisadores identificaram padrões médios de organização cerebral em uma grande população. As mudanças individuais podem acontecer em ritmos diferentes, e fatores como saúde, desenvolvimento e condições de vida também influenciam a trajetória do cérebro.

A principal conclusão é que o cérebro humano passa por cinco grandes eras de organização, em vez de simplesmente crescer, atingir um pico e depois entrar em declínio. 

Imagem de capagerada por inteligência artificial.

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