A Geração Z está transformando a dinâmica do mercado de trabalho em um ritmo superior ao de qualquer outra geração. Sua entrada no mercado não foi fácil: os primeiros empregos vieram durante a pandemia, marcados pelo isolamento do trabalho remoto, e seu futuro depende de uma tecnologia que, ao menos por enquanto, vem reduzindo suas oportunidades de emprego.
Segundo dados reunidos pela Randstad com base em 11.250 trabalhadores em todo o mundo, 54% dos entrevistados dessa faixa etária afirmam que monitoram constantemente o mercado de trabalho em busca de uma nova oportunidade profissional e 33% pretendem deixar o emprego atual em menos de um ano. Em grande parte dos casos, essa mudança não é motivada pela promessa de salários melhores nem por deslealdade à empresa, mas pelo desejo de continuar desenvolvendo suas habilidades e se tornarem profissionais melhores.
Até meados do século passado, era muito comum que uma pessoa começasse a trabalhar quando jovem e permanecesse na mesma empresa até a aposentadoria. Hoje, esse cenário é bastante improvável e o mais comum é trocar de emprego periodicamente. O relatório da Randstad aponta que os jovens da Geração Z permanecem, em média, apenas 1,1 ano em cada emprego, em comparação com 1,8 ano entre os millennials, 2,8 anos na Geração X e 2,9 anos entre os baby boomers.
Segundo um novo relatório do Bank of America Institute, embora os salários nos EUA permaneçam estagnados em 40% dos casos, trocar de emprego continua sendo uma forma de conseguir aumentos salariais. De fato, os millennials que mudaram de emprego viram seus salários crescerem duas vezes mais rápido, enquanto esse crescimento foi quatro vezes maior para os jovens da Geração Z.
Motivação: avançar e aprender
Longe da imagem difundida de deslealdade, os dados da Randstad mostram que a alta rotatividade não é motivada pela falta de comprometimento, mas pela busca por desenvolver competências e progredir na carreira. Um total de 68% afirma continuar comprometido com o emprego atual, mas diz que seus valores não estão alinhados aos das empresas onde trabalham ou que o cargo não contribui para seu crescimento profissional.
Apenas 56% dos jovens entrevistados afirmam que o emprego atual atende às suas necessidades, em comparação com 63% dos baby boomers. Além disso, 40% da Geração Z dizem sempre considerar seus objetivos profissionais de longo prazo ao trocar de emprego, o maior percentual entre todas as gerações que hoje convivem no mercado de trabalho.
À incerteza típica do início da carreira, a Geração Z ainda precisa lidar com a pressão exercida pela inteligência artificial sobre seus empregos, o que os obriga a adquirir novas habilidades rapidamente para não serem excluídos de um mercado de trabalho em que ainda buscam seu espaço.
Isso tem levado muitos desses jovens a mudar de setor, direcionando suas carreiras para áreas menos impactadas pela IA, como a saúde e até mesmo as chamadas profissões de colarinho azul. "A volatilidade econômica, a redução das oportunidades para cargos de nível inicial e o impacto da IA sobre os perfis de competências não diminuíram o desejo da geração Z de progredir em suas carreiras", explicam os autores do estudo da Randstad.
O segredo: equilíbrio entre vida pessoal e trabalho
Na opinião de Reyes Suárez, líder da equipe de RH da Randstad Professionals, "a Geração Z vive em um estado constante de imediatismo e é muito mais ousada. É como a busca por dopamina ao usar as redes sociais, o que acaba gerando uma ambição pouco direcionada. Nesse sentido, eles são muito mais impacientes do que as gerações anteriores, que, por outro lado, eram excessivamente cautelosas".
Suárez afirma que a fórmula para retê-los é "canalizar essa ousadia por meio de planos de carreira e desenvolvimento muito bem estruturados e comunicados com clareza". Segundo dados do relatório Workmonitor 2026, elaborado pela Randstad, 39% dos jovens disseram preferir uma trajetória profissional linear, com promoções periódicas, enquanto 33% preferem desenvolver a carreira passando por diferentes funções e setores.
Ao mesmo tempo, 83% continuam apontando o salário como prioridade em um futuro emprego, enquanto 78% trocariam de trabalho em busca de um melhor equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
Imagem | Fran Innocenti (Unsplash)
Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.
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