A RAM virtual não substitui a RAM física: estas são suas limitações

A RAM virtual usa parte do armazenamento interno como apoio quando falta RAM física, mas não tem o mesmo desempenho

Memória RAM virtual ou física? / Imagem: Manuel Naranjo
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Você provavelmente já viu: um celular “com 8 GB de RAM” que, de repente, anuncia “até 16 GB com RAM virtual”. Parece truque, quase uma melhoria grátis. E, por um tempo, no uso diário, pode dar a sensação de que tudo aguenta um pouco mais sem fechar tão rápido.

O problema é que, quando você olha mais de perto, a RAM virtual tem limites muito claros e não joga na mesma liga da memória física.

O que é exatamente a RAM virtual em um celular

A RAM física é a memória rápida onde o sistema mantém processos ativos e dados de que precisa imediatamente. É a “mesa de trabalho” do telefone. A RAM virtual (RAM Plus, na Samsung), por outro lado, é um sistema que reserva uma parte do armazenamento interno para usar como apoio quando a RAM real fica curta.

Na prática, seu celular “estaciona” apps ou partes de seu estado nesse espaço do armazenamento para liberar RAM. Quando você retorna a esse app, o sistema tenta reconstruir o que havia sido guardado. Se fizer isso bem, você nota menos recargas completas. Se não gerenciar corretamente, por qualquer motivo, você percebe travamentos, esperas e aquela sensação estranha de que o telefone está ocupado mesmo sem você estar fazendo nada extremo.

Por que ela não substitui a memória física

O limite principal é simples: o armazenamento é muito mais lento que na RAM física, mesmo em celulares com memórias UFS rápidas. A RAM foi projetada para acesso imediato e constante. O armazenamento serve para guardar dados de forma persistente, não para servir como memória de trabalho intensiva.

Ram

Isso significa que a RAM virtual serve para “aguentar” mais apps em segundo plano, mas não para melhorar de fato o desempenho quando o celular está no limite. Se você roda jogos pesados, edita vídeos, tira muitas fotos seguidas e alterna entre apps exigentes, o que você precisa é de RAM real. A virtual chega tarde e, quando chega, você já pagou o preço em forma de latência.

Além disso, há um limite de gerenciamento. O Android pode ser agressivo ao fechar processos para manter a fluidez. A RAM virtual não muda essa filosofia. Ela apenas oferece uma almofada para reorganizar, mas não transforma, na prática, um celular de 6 GB em um de 12 GB.

O custo oculto: bateria, calor e desgaste do armazenamento

Quando seu celular usa RAM virtual, ele está escrevendo e lendo mais dados do armazenamento. Isso implica mais trabalho para o controlador de memória e mais atividade geral do sistema. Resultado típico: maior consumo de bateria e, em sessões longas, mais calor.

Também há a questão do desgaste. O armazenamento tem ciclos de gravação. Os celulares modernos gerenciam isso bem, mas, se você forçar um uso intensivo e constante de troca de memória, estará aumentando as gravações. Não é que o celular vá “morrer” amanhã, mas também não é algo “gratuito” a longo prazo, especialmente em modelos com pouco espaço livre.

E atenção ao espaço disponível: se o celular estiver com armazenamento apertado, a RAM virtual pode se tornar uma fonte de problemas. Menos margem para caches e para operações internas é algo que geralmente se traduz em um sistema menos estável e com mais microtravamentos.

Quando faz sentido e como usar com inteligência

A RAM virtual pode ser útil em celulares de linha média ou de entrada quando seu uso envolve muitos apps abertos, redes sociais, mensagens e multitarefa leve. Ela ajuda o sistema a “respirar” e evita que alguns aplicativos recarreguem com tanta frequência.

Mas se você está escolhendo um celular, não use a RAM virtual como argumento principal. Priorize a RAM física se você sabe que faz multitarefa pesada, joga ou trabalha com o telefone. E, se já tiver o recurso, ative-o apenas se notar que apps fecham constantemente em segundo plano e se seu armazenamento estiver folgado.

A RAM virtual é um “remendo” inteligente para situações específicas. A RAM real continua sendo a base. Dá para perceber rapidamente qual das duas está realmente sustentando o celular.

Imagens | Manuel Naranjo

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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