Guerra dos Toyotas: como carros japoneses foram peça-chave para o exército do Chade humilhar os invasores líbios

Carros de passeio japoneses se tornaram veículos de guerra ágeis e de fácil manobra no Chade durante os anos 1970 | Imagem: Gemini
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Igor Gomes

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Igor Gomes

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Subeditor do Xataka Brasil. Jornalista há 15 anos, já trabalhou em jornais diários, revistas semanais e podcasts. Quando criança, desmontava os brinquedos para tentar entender como eles funcionavam e nunca conseguia montar de volta.

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Quando se vai comprar um carro, a resistência contra o desgaste causado pelo uso é um dos fatores mais importantes na hora de escolher. Alguns modelos têm fama de durões, mas nenhum seria capaz de fazer frente a um tanque de guerra como as Toyota Hylux e Grand Cruizer utilizadas na Guerra dos Toyota

Apoio líbio à oposição

O combate aconteceu por conta da invasão da região de Aouzou, no Chade, pela Líbia, em 1983. Na época, o presidende líbio, Muammar Gaddafi, apoiou a derrubada do presidente Hissène Habré pelos opositores do Governo de Transição da Unidade Nacional (GUNT). A França interveio e conseguiu manter Habré no poder. Mas o trato feito de que ambos países sairiam de Chade foi desrespeitado pela Líbia em 1984. Isso fortaleceu o fortaleceu o governo e enfraqueceu o GUNT, que havia se rebelado contra a Líbia em 1986.

Expulsão dos invasores

A ocupação do Chade durou até 1987. No início do ano, o presidente Habré atacou as tropas líbias com apoio da França. Em menor quantidade e com menos armas, o exército chadiano contava com as forças aéreas francesas para atacar bases e se utilizou dos carros utilitários japoneses para fazer ataques rápidos de surpresa. 

Facilidade de manobra e agilidade

A maior motivação para usar os carros da marca japonesa pelas tropas rebeldes foi a sua facilidade de manobra. Os invasores possuíam tanques de guerras com armamento pesado, porém difíceis de manobrar, ainda mais nas estradas precárias do Chade. Em desvantagem, os chadianos precisavam atacar os soldados líbios com velocidade e de surpresa para terem sucesso. Por isso pickups Hilux e Grand Cruizer eram perfeitas: suas caçambas poderiam carregar diversos soldados e receber a instalação de armas fixas. Além disso, a facilidade e o baixo custo de manutenção, e a resiliência dos veículos às más condições das estradas também colaboravam para a escolha deles como "carros de guerra". 

A maior vitória com essa tática foi na batalha na base de Fada em janeiro de 1987. Mais de 2000 líbios estavam alocados nessa base com forte armamento. Mas o conhecimento da região de Hissene Habré, Chefe de Estado chadiano, permitiu que as tropas evitasse o combate frontal e atacasse pontos estratégicos. Mais de 700 líbios foram mortos e 300 tanques foram destruídos. Em março do mesmo ano, as forças chadianas tomaram a base de Ouadi Doum, dando um forte golpe na ocupação líbia. 

Para tentar limpar a imagem, Gaddafi ordenou a saída das tropas líbias da Prefeitura de Borkou-Ennedi-Tibesti, afirmando que havia ganho a guerra e que saíam para permitir à oposição local lutar contra o governo. Isso chamou a atenção dos Estados Unidos, que considerou usar Habré para tentar derrubar Gaddafi, que só seria morto por rebeldes líbios em 2011. 

Retirada das tropas líbias

Em agosto, os chadianos tentaram expulsar os líbios da faixa de Aozou, mas foram expulsos da cidade. Essa foi a primeira vitória dos líbios em muito tempo, mas durou pouco. Habré organizou um contra-ataque aéreo de curta distância para expulsar as tropas líbias em setembro de 1987 e conseguiu derrotas as tropas. Depois disso, Gaddafi teve uma posição mais conciliatória e em 11 de Setembro de 1987, acertou-se um cessar-fogo. Em maio do ano seguinte, Gaddafi reconheceu Habré como presidente do Chade, pondo fim à Guerra dos Toyotas. 

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