A IA prometia revolucionar as salas de aula, mas estudos começam a mostrar o efeito contrário nos alunos

O relatório PISA da OCDE já indicava que o uso da inteligência artificial no ambiente escolar não tem trazido tantos benefícios assim

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Bárbara Castro

Redatora

A inteligência artificial está cada vez mais presente em escolas e universidades, consolidando-se como ferramenta de apoio na hora de fazer trabalhos, solucionar exercícios ou compreender novos conceitos. O problema é que o tema está longe de ser uma unanimidade: diversas vozes alertam que essa dependência pode estar prejudicando a capacidade de compreensão das gerações mais jovens.

O assunto virou tema de estudo. O debate ganhou novo fôlego após uma reportagem publicada pelo The Wall Street Journal, que sugere a restrição do uso de ferramentas de IA para menores de 21 anos, apoiando-se em pesquisas do MIT sobre os efeitos reais da tecnologia no aprendizado dos estudantes.

Há alguns anos, acreditava-se que o futuro da educação seria guiado pela digitalização imediata, trocando o quadro de giz por lousas digitais e equipando alunos com notebooks ou tablets. O objetivo era reproduzir métodos considerados inovadores, mas o relatório PISA 2025 da OCDE representou um banho de água fria: alunos que usam IA para tarefas pontuais, como resumir textos ou redigir redações, registram notas piores em ciências do que aqueles que não a utilizam. Trata-se de uma defasagem de cerca de 20 pontos, o equivalente a perder quase um ano inteiro de escolarização formal.

O documento traz, contudo, uma ressalva essencial: os jovens que recorrem a essas ferramentas com frequência e contam com orientação escolar específica em letramento digital obtêm resultados ligeiramente acima da média.

Na Espanha, os dados indicam uma adesão em larga escala: 54% dos estudantes admitem recorrer a chatbots para estudar — sendo 40% com a finalidade de sintetizar leituras e 30% para redigir trabalhos acadêmicos.

Mesmo diante desse alto volume de adoção, a avaliação do PISA apontou uma queda clara em relação a 2022, com perda de 23 pontos em leitura, 16 em matemática e 8 em ciências. Esse movimento acompanha um cenário global delicado, no qual o desempenho em compreensão de texto caiu 28 pontos em todo o conjunto de países da OCDE na última década.

Testes práticos conduzidos pela Universidade da Pensilvânia com cerca de mil estudantes de matemática demonstraram que recorrer a modelos como o GPT-4 acelerava o desempenho no curto prazo, mas minava a retenção do conhecimento. Ao removerem o assistente virtual em um teste posterior, o grupo que dependia da ferramenta para estudar apresentou um rendimento 17% inferior ao do grupo de controle.

A saída sugerida pelo próprio estudo é estruturar um "tutor de IA", configurado não para entregar respostas mastigadas, mas para provocar reflexões e orientar o raciocínio do jovem. Dessa forma, busca-se frear a chamada "preguiça metacognitiva", quadro em que o estudante chega ao resultado sem realizar nenhum esforço cognitivo efetivo.

No aspecto socioemocional, uma pesquisa do MIT identificou que a utilização diária e profunda de assistentes virtuais esteve associada a maiores sensações de isolamento, apego excessivo às telas e menor convívio social. A Associação Americana de Psicologia já emitiu alertas advertindo que os jovens podem encontrar dificuldades para diferenciar a "empatia simulada" de uma máquina do afeto e da compreensão humana real.

Apesar do alerta, o caminho não passa por demonizar a tecnologia, mas por aprender a incorporá-la com propósito pedagógico. Encarar a IA como um guia de apoio — e não como um gabarito automático para qualquer obstáculo — desponta como a estratégia indispensável para colher os benefícios dessa ferramenta sem comprometer a formação dos alunos.

Matéria traduzida de Xataka*

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