Efeito corona: árvores brilham com eletricidade durante tempestade — confira as imagens

Ciência suspeitava da possibilidade do fenômeno, mas agora houve confirmação

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Vika Rosa

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Vika Rosa

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Jornalista com mais de 5 anos de experiência, cobrindo os mais diversos temas. Apaixonada por ciência, tecnologia e games.


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Pode parecer ficção científica, mas cientistas finalmente registraram algo que, por décadas, existia apenas como hipótese: árvores literalmente “brilhando” durante tempestades. O fenômeno, (chamado de descarga corona ou efeito corona) observado pela primeira vez em ambiente natural, revela um comportamento elétrico surpreendente e possivelmente importante para o próprio ar que respiramos.

A descoberta foi feita por pesquisadores da Penn State (link no primeiro parágrafo), que passaram semanas perseguindo tempestades nos Estados Unidos com uma van equipada com instrumentos científicos. O objetivo era capturar evidências das chamadas descargas corona, pequenas emissões elétricas que ocorrem nas pontas das folhas. Veja a imagem abaixo:

Efeito corona Efeito corona

Um brilho invisível a olho nu

As descargas corona não são como relâmpagos tradicionais. Elas acontecem em escala muito menor, formando um brilho sutil (quase imperceptível) que pode ser detectado principalmente na faixa ultravioleta.

Durante uma tempestade, nuvens carregadas eletricamente criam um desequilíbrio: cargas negativas no céu atraem cargas positivas no solo. Essa energia sobe pelas árvores e se concentra nas extremidades mais finas, como as pontas das folhas.

É nesse ponto que o campo elétrico se intensifica o suficiente para gerar pequenos “flashes” luminosos. Na prática, é como se as copas das árvores fossem envolvidas por halos elétricos cintilantes, algo invisível para nós, mas claramente captado pelos instrumentos.

A primeira confirmação fora do laboratório

Embora cientistas suspeitem da existência dessas descargas há mais de 70 anos, nunca havia sido possível observá-las diretamente na natureza. Até agora.

Após tentativas frustradas na Flórida, a equipe conseguiu registrar o fenômeno na Carolina do Norte, durante uma tempestade mais intensa e duradoura. Ao apontar seus equipamentos para o topo de árvores, os pesquisadores detectaram centenas de eventos de descarga corona em poucos minutos.

No total, foram mais de 800 registros em uma única árvore, além de dezenas em outras espécies próximas. Cada evento durava de frações de segundo a alguns segundos.

Árvores podem ajudar a limpar o ar, mas...

O mais curioso é que esse fenômeno não é apenas visualmente intrigante, pois pode ter um papel relevante na química da atmosfera.

As descargas corona geram radiação ultravioleta capaz de quebrar moléculas de vapor d’água, formando compostos chamados radicais hidroxila. Esses compostos são conhecidos como “detergentes da atmosfera”, pois ajudam a decompor poluentes, incluindo gases de efeito estufa como o metano.

Em outras palavras, durante tempestades, as árvores podem estar contribuindo ativamente para a limpeza do ar ao seu redor.

Apesar da descoberta, os cientistas ainda não sabem ao certo se esse processo beneficia ou prejudica as árvores. Pequenos danos foram observados nas folhas onde as descargas ocorrem, mas o impacto a longo prazo ainda é incerto.

Agora, a próxima etapa é entender se esse fenômeno faz parte de uma adaptação natural das árvores e qual o seu papel no equilíbrio ambiental.

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