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Interação social vira um fardo na China e as mesas individuais do McDonald’s se tornam as mais disputadas

As mesas isoladas são o reflexo de uma mudança de paradigma social reforçada pela tecnologia

McDonald's na China / imagem: Bruna Santos
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Victor Bianchin

Redator
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Victor Bianchin é jornalista.

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Nos McDonald’s da China, as mesas individuais agora estão entre as mais disputadas. Diferentes das comuns, essas mesas são altas e apresentam uma divisória que cria uma sensação de falsa intimidade para quem come sozinho.

O fenômeno tem sido amplamente retratado em redes sociais como Xiaohongshu e Weibo, os equivalentes ao Instagram e ao Twitter: o veículo de comunicação de Xangai Kankan News reuniu alguns dos melhores em um vídeo.

Essas divisórias ajudam a evitar a situação constrangedora de encontrar um conhecido e ter que cumprimentá-lo. Você se senta ali discretamente e come sem interação.

O veículo de comunicação de Xangai reúne depoimentos de profissionais da psicologia que explicam o fenômeno: a interação social é vista como arriscada em comparação com os chats, onde é possível editar ou apagar o que se diz; e essas mesas funcionam como um refúgio após a exposição social inevitável do trabalho, onde há a obrigação de ser simpático e sorrir por imposição social.

As mesas individuais (Kankan News) As mesas individuais (Kankan News)

Para a juventude da sociedade chinesa, a interação social se tornou um fardo. O China Youth Daily entrevistou 2.000 pessoas entre 18 e 35 anos e o resultado foi contundente: 64% se sentem perdidos quando conhecem alguém offline. O percentual é ainda maior em uma pesquisa de 2023 com 1.438 chineses nascidos entre as décadas de 1980 e 2000: mais de 80% afirmaram sentir ansiedade nas interações sociais.

A revista Time colocou o fenômeno em perspectiva, porque ele vai muito além de preferir comer sozinho: a sociedade chinesa passou de um modelo em que tradicionalmente se vivia perto da família (até sob o mesmo teto) para um cenário em que as gerações mais jovens iniciam a vida de forma solitária após deixar suas casas em áreas rurais para trabalhar nas grandes cidades. A expressão máxima e mais trágica disso é o sucesso em downloads do aplicativo “Você está morto?”.

As mesas individuais (Kankan News) As mesas individuais (Kankan News)

A economia da fobia social

A China viveu uma mudança brutal na quantidade de pessoas que moram sozinhas, com mais de 100 milhões de lares unipessoais, segundo o relatório anual de 2024 do Escritório Nacional de Estatísticas da China. Em 2030, estima-se que esse número suba para algo entre 150 e 200 milhões.

E a economia está se adaptando a esse novo paradigma: de acordo com a empresa de pesquisa iResearch, a economia da ansiedade social na China já movimenta aproximadamente 172 bilhões de dólares em iniciativas como carrinhos com placas de “Não incomode” para evitar a aproximação de promotores de produtos nos supermercados Freshippo, além de academias e lojas 24 horas sem funcionários, onde tudo é gerenciado por códigos QR, sem precisar trocar uma palavra com ninguém.

Imagem | Bruna Santos

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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