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Comida para todo lado: tempestades espalham toneladas de batatas fritas congeladas e cebolas em praias

Uma maré inusitada

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Vika Rosa

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Vika Rosa

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Jornalista com mais de 5 anos de experiência, cobrindo os mais diversos temas. Apaixonada por ciência, tecnologia e games.


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O que parecia ser uma miragem tropical ou uma "praia de areias douradas" revelou-se, na verdade, um desastre ambiental inusitado no sul da Inglaterra. Entre o final de 2025 e o início de janeiro de 2026, as praias de East Sussex, incluindo a turística Eastbourne, foram tomadas por milhares de sacos de batatas fritas congeladas e cebolas.

O fenômeno foi provocado por fortes tempestades no Canal da Mancha, que fizeram com que navios cargueiros, como o Lombok Strait, perdessem recipientes no mar. Ao todo, pelo menos 17 contêineres refrigerados caíram na água, e as correntes marítimas encarregaram-se de levar a carga para a areia.

Do susto à mobilização comunitária

Moradores locais foram os primeiros a relatar a cena. Joel Bonnici, que passeava pela região de Falling Sands, descreveu que, à distância, a praia parecia coberta por uma areia amarela brilhante. De perto, a realidade era preocupante: em alguns pontos, as batatas acumulavam-se em pilhas de até 75 centímetros de altura.

A preocupação imediata não foi o alimento em si, mas as milhares de embalagens plásticas que envolviam os produtos. A mobilização foi rápida.

Organizações como a Plastic Free Eastbourne convocaram mutirões para retirar os resíduos antes que a maré os levasse de volta ao oceano.

A área afetada abriga uma colônia de cerca de 30 focas. Especialistas alertaram que esses animais podem confundir os sacos plásticos com águas-vivas, o que pode ser fatal se ingerido.

Em praias vizinhas, como Brighton, as autoridades recolheram quase duas toneladas de detritos em um único dia — quatro vezes o volume normal para a época.

O trabalho ainda não acabou

As autoridades de Eastbourne e a guarda costeira do Reino Unido estão trabalhando em conjunto com empresas de resgate marítimo para localizar os contêineres que ainda estão à deriva. 

Embora boa parte do plástico visível tenha sido removida graças ao esforço da comunidade, o monitoramento continua, já que novos detritos podem surgir conforme as condições do mar mudam.

Este não é o primeiro incidente do tipo na região; curiosamente, no mês anterior, uma "maré de bananas" já havia atingido a costa de Sussex. O episódio reforça o debate sobre a segurança do transporte de carga em condições climáticas extremas e a vulnerabilidade dos ecossistemas marinhos ao plástico.

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