Teclados ergonômicos sempre habitaram um lugar curioso no meu imaginário tecnológico. Desde os anos 1990, quando o Microsoft Natural Keyboard parecia coisa de outro planeta, eu olhava para aquele formato “quebrado” com uma mistura de fascínio e desconfiança. A promessa era clara: mais conforto, menos dor, uma digitação mais alinhada ao corpo humano. O problema é que, na prática, eu nunca tinha ido além da curiosidade. Foram anos — décadas — usando teclados comuns, mecânicos ou de membrana, sem nunca dar o salto.
Isso mudou com o Logitech K860. Meu primeiro teclado ergonômico não só confirmou várias suspeitas antigas, como também me fez repensar hábitos que eu simplesmente aceitava como normais. Digitar torto, ombros tensos, punhos forçando posições estranhas. Nada disso parecia um problema imediato, mas o K860 deixa claro que conforto não é luxo: é prevenção.
O estranhamento inicial (e a adaptação surpreendente)
A primeira impressão é, sem rodeios, esquisita. O teclado é dividido ao meio, as teclas seguem um desenho angulado e até a barra de espaço está separada. Para quem vem de anos de memória muscular treinada em layouts tradicionais, o choque é real. Nos primeiros minutos, os erros aparecem, especialmente em letras centrais, e a sensação é de que algo está fora do lugar.
Mas a adaptação acontece mais rápido do que eu imaginava. Em poucos dias, a estranheza deu lugar à naturalidade. As mãos passam a repousar onde deveriam estar desde sempre, os dedos trabalham mais e os punhos quase não se movem. A barra de espaço dividida, que parecia um exagero à primeira vista, vira detalhe irrelevante — e depois, indispensável. Voltar para um teclado comum passa a parecer regressão.
Mais do que digitar melhor, o ganho está na postura. O teclado praticamente “obriga” você a sentar direito, alinhar braços e evitar aquela inclinação constante dos pulsos. Não sou médico, mas tudo indica que esse tipo de ergonomia ajuda, sim, a evitar problemas futuros, especialmente para quem passa horas escrevendo, editando ou trabalhando diante de um computador.
Conforto, personalização e o dia a dia com o K860
Parte dessa experiência passa também pela construção do teclado. O apoio emborrachado para os pulsos é excelente, macio na medida certa e integrado ao corpo do K860. Ele não é removível, o que levanta uma dúvida legítima sobre a durabilidade a longo prazo. Em meses de uso intenso, não notei qualquer deformidade ou desgaste visível, mas é justo imaginar que, após anos, essa peça possa sofrer com o tempo e o uso contínuo. Por enquanto, nada mudou — e isso conta pontos.
No uso diário, o teclado se mostra extremamente prático. Ele funciona tanto via Bluetooth quanto pelo receptor USB da Logitech, o que facilita a vida em setups com múltiplos dispositivos. A alimentação é feita por duas pilhas AAA (a famosa pilha palito), que já vêm na caixa e, honestamente, parecem eternas. Depois de bastante tempo de uso, a sensação é de que elas nunca foram usadas, o que combina bem com a proposta de um periférico “instale e esqueça”.
O software da Logitech também merece destaque. A personalização de atalhos transforma o K860 em uma ferramenta muito mais pessoal, adaptada ao seu fluxo de trabalho. Ajustar comandos, remapear funções e deixar tudo do seu jeito faz diferença real no dia a dia, especialmente para quem vive no teclado.
9
Prós
- Conforto acima da média
- Digitação mais natural
- Excelente autonomia
- Conectividade
- Software que permite personalização
Contras
- Preço elevado
- Apoio não removível
Vale o investimento
O Logitech K860 não é barato. No Brasil, o preço gira entre R$ 780 e R$ 850, dependendo da loja e da forma de pagamento, o que coloca o teclado em um patamar premium. Ainda assim, depois de finalmente cruzar essa fronteira ergonômica, fica difícil encarar o valor apenas como gasto. Ele se parece muito mais com um investimento — no conforto, na produtividade e, principalmente, na saúde a longo prazo.
Depois de tantos anos apenas admirando teclados ergonômicos, a sensação é de que eu deveria ter feito isso antes. Mesmo com a dúvida sobre a durabilidade do apoio de pulso, o K860 é uma ótima compra, entregando exatamente o que promete: uma experiência de digitação mais natural, confortável e consciente. E uma vez que você se acostuma, a ideia de voltar para um teclado “normal” simplesmente perde o sentido.
Créditos de imagens: Xataka Brasil, Logitech
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