A Apple não sofre apenas com o encarecimento da RAM; há outro componente obrigando a empresa a mudar seus planos: a fibra de vidro

Apple e Qualcomm já tiveram de buscar alternativas diante da forte demanda, que deixou seu fornecedor em apuros

Apple / Imagem: Applesfera
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Em um ano que começa com a indústria de tecnologia sacudida pelos preços da RAM e pela ameaça de celulares e outros dispositivos eletrônicos também ficarem mais caros como consequência, surge um novo problema: a fibra de vidro. Um componente que, por menor que pareça, representa um contratempo importante para a Apple.

A fibra de vidro em questão não é aquela que costumamos ver em isolantes de janelas e similares. Trata-se de um tecido técnico ultrafino usado em microchips e placas-mãe, sendo um elemento importante sobre o qual os processadores são montados. Nos modelos mais avançados, essa fibra (T-glass) permite manter a estabilidade e o desempenho dos chips.

Por anos, a Apple tem sido (e continua sendo) um dos grandes clientes desse material, já que precisa dele para todos os seus dispositivos. O fornecimento, embora limitado, era suficiente, mas isso mudou com o aumento da demanda por hardware avançado, impulsionada pelos data centers de IA.

A mesma pressão que já fez a demanda por RAM disparar e os preços subirem agora está afetando outros componentes-chave, como a fibra de vidro. Um relatório recente do Nikkei Asia aponta que fornecedores como a japonesa Nittobo, parceira da Apple, não conseguem escalar a produção na velocidade exigida pela demanda.

Por que isso é importante. Enquanto a RAM encarece a produção e pode influenciar os preços dos dispositivos ou as margens dos vendedores, a fibra de vidro T-glass afeta diretamente a capacidade de fabricar hardware avançado. Trata-se de um componente que não pode ser facilmente substituído por suas características (precisa ser ultrafino, homogêneo e altamente estável). E, embora existam alternativas, sua obtenção não é imediata, já que qualquer teste envolve tempo, dinheiro e riscos.

A qualidade das alternativas precisa ser muito alta, pois esse material é incorporado nas partes mais profundas dos chips. Se falhar, não há como reparar. Por isso, os fabricantes são conservadores ao recorrer a fornecedores alternativos ou a materiais menos avançados.

Imagem: South China Morning Post Imagem: South China Morning Post

Segundo o relatório já citado, a Apple, assim como a Qualcomm, está explorando várias alternativas com fornecedores chineses e taiwaneses. Nesses mercados, buscam parceiros com os quais usar fibras menos avançadas, mas que igualem ou até superem a qualidade das T-glass. Ainda assim, vale destacar novamente que os testes não podem ser resolvidos rapidamente e exigem tempo.

Segundo as fontes, a Nittobo, atual fornecedora da Apple, não alcançará uma capacidade ideal de produção de fibra antes de meados de 2027. Até lá, até mesmo empresas como Apple, NVIDIA, Microsoft e Google terão de competir entre si para garantir suprimento suficiente.

Para os consumidores, esse novo gargalo relacionado à fibra não deve trazer efeitos no curto prazo — ao menos não de forma isolada.

No entanto, será crucial como isso se combinará com o aumento dos preços da RAM e outras tensões na cadeia de suprimentos, já que esse acúmulo de custos pode acabar se refletindo em preços mais altos, a menos que a Apple absorva essas despesas. Em todo caso, isso parece algo mais ligado ao médio e longo prazo, afetando produtos dos próximos anos.

Este texto foi traduzido/adaptado do site Applesfera.


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