Em 1960, Pelé comprou uma fazenda de 661 hectares no Brasil: local foi seu grande refúgio privado e império agropecuário por 40 anos

A Fazenda Sossego, equivalente a cerca de 980 campos de futebol, abrigava criação de gado, mais de mil porcos, tanques de peixes e um campo de futebol particular

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Bárbara Castro

Redatora

Há uma faceta na vida de Edson Arantes do Nascimento que raramente aparece nos documentários quando se fala do Rei do Futebol: a de empresário do agronegócio e fazendeiro recluso.

No final da década de 1960, enquanto vivia o auge de sua carreira no Santos, Pelé decidiu investir em um refúgio longe dos holofotes, da imprensa e da pressão dos estádios. Ele comprou a Fazenda Sossego, uma colossal propriedade de 661 hectares (o equivalente a quase 980 campos de futebol) localizada no município de Juquiá, no Vale do Ribeira, interior de São Paulo.

Durante quase quatro décadas, a área funcionou ao mesmo tempo como um santuário familiar privado e como um centro de produção agropecuária de alta escala.

Um império agropecuário com mais de 1.000 porcos e criação de peixes

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Engana-se quem pensa que o local era apenas um sítio de lazer para os finais de semana. Cerca de 370 hectares da propriedade eram dedicados exclusivamente ao agronegócio, equipados com estradas internas, galpões, currais, silos e até uma unidade leiteira com sistema de ordenha mecânica.

Em uma visita de jornalistas à propriedade em 2010, foi revelado o tamanho da operação comercial que o ex-jogador comandava nos bastidores:

  • Pecuária e Suinocultura: A fazenda abrigava cerca de 1.200 porcos em instalações próprias e mais de 200 cabeças de gado Nelore.
  • Piscicultura: O complexo contava com 18 tanques de aquicultura voltados para o cultivo e manejo de cinco espécies diferentes de peixes.
  • Lavouras comerciais: Grandes extensões eram voltadas ao cultivo de banana e palmito.

Para dar suporte a tudo isso, a fazenda mantinha uma vila com casas para os funcionários, escritórios de administração e estruturas permanentes de maquinário agrícola.

Quase 30 suítes, saunas e um campo de futebol exclusivo

Enquanto a parte produtiva gerava resultados no campo, a área social da fazenda foi projetada para garantir total privacidade ao astro e seus convidados.

A propriedade conta com quatro sedes principais. A residência oficial do jogador, conhecida como "Sede do Pelé" ou "Casa Rústica", incluía seis suítes climatizadas, amplas salas e varandas integradas à vegetação da Mata Atlântica. Somando as demais estruturas de hóspedes e salões de festas, o complexo atinge impressionantes 29 suítes.

A estrutura de lazer de alto padrão contava com:

  • Três piscinas grandes e lago privado com pedalinhos.
  • Saunas seca e úmida, academia de ginástica e salão de jogos.
  • Duas capelas privativas espalhadas pelo terreno.
  • Um campo de futebol society com vestiários, onde Pelé costumava organizar partidas privadas com familiares, amigos e personalidades.

Um novo dono por R$ 35 milhões

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Pelé manteve a propriedade sob sua posse por cerca de 38 anos, tornando-se uma figura tão ilustre no município que recebeu o título de cidadão honorário de Juquiá em 1999 e, anos depois, uma estátua em sua homenagem em uma das entradas da cidade.

Após a morte do jogador em dezembro de 2022, aos 82 anos, a Fazenda Sossego passou a integrar o patrimônio familiar e retornou ao mercado imobiliário. Atualmente, a propriedade está anunciada para venda por cerca de R$ 35 milhões (aproximadamente 6,1 milhões de dólares).

Os anúncios destacam que a área conserva total aptidão para projetos turísticos, hoteleiros ou para a continuidade da exploração pecuária. Mas o grande diferencial do imóvel não está apenas nas dezenas de suítes ou nos lagos: está no fato de ter sido, por décadas, o grande refúgio secreto do maior jogador de futebol de todos os tempos.

Matéria traduzida de Xataka*

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