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Ele se alistou após ver um anúncio no Instagram, foi para a Rússia e nunca mais respondeu: o mistério do brasileiro de 23 anos que pode ter morrido na guerra da Ucrânia

Após se alistar no Exército russo por meio de redes sociais, jovem foi para a guerra na Ucrânia, perdeu contato com a família e entrou para a lista de desaparecidos

Chairon Vitor Sepulvida armado. Créditos: Reprodução/Instagram
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Laura Vieira

Redatora
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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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O conflito entre Rússia e Ucrânia acontece a milhares de quilômetros do Brasil, mas, para o paulista Chairon Vitor Sepulvida, de 23 anos, essa distância pareceu não importar. Em março de 2025, o jovem entrou em um avião e foi direto para a Rússia após ver um anúncio de alistamento militar nas redes sociais. Porém, quatro meses depois, em julho, ele fez o último contato com a família. Desde então, o jovem nunca mais deu notícia e a família tenta descobrir se Chairon está vivo, desaparecido ou entre os mortos da guerra. O Itamaraty acompanha o caso por meio da Embaixada do Brasil em Moscou.

Jovem braisleiro se alista no exército russo após ver anúncio nas redes sociais 

Natural de Diadema, em São Paulo, Chairon já tinha experiência na área militar: ele havia servido no Exército Brasileiro e tinha formação como mecânico de armas. Essa característica chamou a atenção de um canal de alistamento que o jovem encontrou no Instagram. A proposta envolvia atuar como técnico especializado no Exército da Rússia, por meio de um contrato militar. O convite oferecia estrutura, treinamento e integração às forças russas. Como não sabia nada do idioma, Chairon chegou a fazer um curso para aprender a se comunicar e enviou à mãe imagens de documentos que comprovam a vinculação formal às forças armadas russas.

Com tudo pronto, o jovem embarcou para o país em março de 2025. Nos primeiros meses, o contato com a família era frequente. As mensagens, no entanto, começaram a mudar de tom. Chairon passou a relatar o peso do conflito e descreveu a guerra como “um inferno”. Mesmo assim, dizia não poder desistir, pois abandonar o posto poderia ser tratado como deserção, um crime grave para as forças militares russas. O último contato ocorreu em 15 de julho de 2025. Na conversa, ele avisou que seguiria para o front em uma missão de ataque, mas depois disso, não respondeu mais mensagens nem atendeu ligações.

O que se sabe sobre o desaparecimento?

Com o passar das semanas sem notícias, a família iniciou uma busca por informações oficiais. Segundo a mãe, o Itamaraty informou que Chairon teria se apresentado a um batalhão no dia 30 de julho de 2025, mas passou a constar como ausente por mais de 30 dias, com paradeiro desconhecido. A situação ficou ainda mais desesperadora em dezembro, quando parentes receberam relatos não confirmados de que o nome do jovem estaria em uma lista de mortos. Nenhuma dessas informações, porém, foi oficialmente validada pelas autoridades russas.

Enquanto isso, a Embaixada do Brasil em Moscou mantém contato com a família. O Ministério das Relações Exteriores destaca que casos envolvendo brasileiros alistados em forças armadas estrangeiras são complexos, já que envolvem contratos militares, legislação internacional e as condições difíceis do campo de batalha. Por questões legais e de privacidade, detalhes sobre a atuação diplomática não são divulgados.

O caso de Chairon não é o único. Em 3 julho de 2025, o Ministério das Relações Exteriores publicou um comunicado oficial no portal do governo federal desaconselhando o alistamento voluntário de brasileiros em forças armadas estrangeiras em contextos de conflitos internacionais.

No aviso, o Itamaraty chama atenção para o aumento no número de brasileiros mortos em guerras no exterior e para os relatos de cidadãos que, após assinarem contratos militares, enfrentaram sérias dificuldades para interromper sua participação nos combates. O ministério também destaca que, nesses casos, a assistência consular pode ser severamente limitada pelas obrigações contratuais assumidas e que o poder público não é obrigado a custear o retorno de brasileiros alistados em exércitos estrangeiros.

Sem respostas definitivas, a mãe de Chairon iniciou campanhas nas redes sociais para arrecadar recursos e tentar ir pessoalmente à Rússia em busca de informações. 

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