Uma descoberta sobre um alimento bastante improvável rendeu um prêmio a um grupo de cientistas: o “leite” produzido por uma espécie de barata. Os pesquisadores investigaram os cristais de proteína formados a partir desse líquido e mostraram que eles armazenam uma quantidade surpreendentemente alta de energia.
O estudo analisou a espécie Diploptera punctata, conhecida como barata-do-Pacífico. Diferentemente da maioria das baratas, ela é vivípara e alimenta os embriões dentro do corpo com uma secreção rica em nutrientes.
“Leite” da barata é formado por cristais
A fêmea produz uma secreção esbranquiçada dentro do saco incubatório, estrutura na qual os embriões se desenvolvem. O líquido é consumido pelos filhotes ainda no estágio embrionário e chega ao sistema digestivo deles.
Foto: Cheongweei Gan/iNaturalist Research-grade Observations/GBIF
No intestino, parte dessa secreção se transforma em pequenos cristais ricos em proteínas, carboidratos e lipídios. Os pesquisadores descobriram que essas estruturas funcionam como uma espécie de reserva concentrada de nutrientes para o desenvolvimento dos embriões.
As proteínas encontradas nos cristais também apresentam diferentes características e quantidades de nutrientes, o que indica que não se trata apenas de uma fonte de proteína, mas de um alimento relativamente completo para os filhotes.
Cristal pode concentrar mais energia que o leite de vaca
Quando compararam os cristais produzidos pela barata com o leite de vaca, os pesquisadores descobriram que uma quantidade equivalente dos cristais pode armazenar mais de três vezes a energia encontrada no leite bovino.
Isso acontece porque os nutrientes ficam concentrados na estrutura cristalina, permitindo que os embriões tenham acesso a uma fonte de energia estável durante seu desenvolvimento.
Foto: Beth Burrous/iNaturalist Research-grade Observations/GBIF
Descoberta rendeu um Ig Nobel
O trabalho foi reconhecido com o Ig Nobel de Química, premiação que celebra pesquisas científicas consideradas inicialmente curiosas ou engraçadas, mas que também podem estimular reflexões sobre a ciência.
Apesar do aspecto inusitado da descoberta, os cristais de proteína da barata despertam interesse científico por sua capacidade de armazenar nutrientes de forma extremamente concentrada.
A descoberta não significa, porém, que o “leite” de barata esteja sendo considerado uma alternativa ao leite convencional ou que exista atualmente algum produto alimentar feito a partir dele. A pesquisa ajuda principalmente a compreender como uma espécie desenvolveu uma estratégia incomum para alimentar seus filhotes.
Imagem de capa: James Bailey/iNaturalist Research-grade Observations/GBIF
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