O celular com tela transparente que a Sony tentou vender como luxo — e se tornou um dos maiores fracassos da história

Aparelho permitia enxergar através da tela

Sony Ericsson Xperia Pureness
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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O ano era 2009. O mundo dos smartphones começava a despertar e, entre os modelos mais privilegiados dos catálogos das operadoras, surgiam nomes como o iPhone 3GS, o HTC Hero e o icônico BlackBerry 8520. As ligações telefônicas começavam a diminuir em favor das mensagens instantâneas, que continuavam conquistando usuários dia após dia.

Nesse contexto, a família Sony Xperia tentou vencer a corrida com muita inovação. O melhor exemplo foi o modelo Sony Ericsson Xperia Pureness, com tela transparente. O problema foi que a marca não soube identificar quais eram as verdadeiras necessidades dos usuários e sua ânsia por chamar a atenção transformou seu futuro promissor em uma sucessão de fracassos.

O Sony Ericsson Xperia Pureness chegou ao mercado com um design exclusivo, tela monocromática translúcida de 1,8 polegada, 88 MB de armazenamento interno e rádio FM, com a porta proprietária FastPort como conector. Não tinha câmera.

Já na época de seu lançamento, o telefone ficava ridiculamente para trás em termos de especificações técnicas, mas a Sony Xperia concentrou todos os seus esforços na exclusividade de oferecer um modelo que permitia enxergar através da tela.

Por curiosidade, esse Sony Ericsson Xperia Pureness incluía uma assinatura de 12 meses do serviço de concierge Pureness. Disponível 24 horas por dia, sete dias por semana, permitia ao usuário entrar em contato com uma espécie de assistente pessoal por telefone ou e-mail e solicitar vantagens VIP em determinadas situações, como melhorias no quarto do hotel, champanhe grátis, descontos em ingressos para espetáculos e assentos melhores, entre outras.

O que deu errado

Hoje em dia, esse Sony Xperia Pureness faria muito mais sentido, mas a empresa errou completamente o momento. Em plena explosão da internet móvel e da fotografia nos celulares, a companhia apostou em um modelo minimalista, sem câmera, com um conjunto de funções muito limitado e que custava 800 euros, cerca de R$ 2 mil na época e R$ 4.500 hoje.

Nos dias atuais, esse modelo seria um ícone e uma bandeira do detox digital, mas, naquele ano de 2009, era inevitável sentir que o Sony Xperia Pureness representava um retrocesso pelo seu preço caro. Para contextualizar, o iPhone 3GS custava 349 euros (R$ 2 mil hoje).

Atualmente, a divisão de celulares da Sony agoniza, enquanto a empresa continua tentando e obtendo mais sofrimento do que glória. Em 2026, conhecemos o novo Sony Xperia 1 VIII, com acréscimos interessantes, como o reprodutor Walkman e a compatibilidade com o PS Remote Play de fábrica, por um preço a partir de 1.499 euros (R$ 7 mil).

Embora o esforço continue, a verdade é que a participação de mercado dos celulares da Sony é insignificante e o futuro da empresa não parece promissor.

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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