Wall Street descobriu que implementar IA não significa demitir funcionários, mas contratar os funcionários certos

Bancos procuram humanos que coordenem suas tarefas e controlem os riscos dessas novas ferramentas

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Os bancos de Wall Street vêm refinando há meses o discurso da eficiência para fazer mais com menos. Nessa disputa entra em jogo a inteligência artificial, que, em teoria, permitiria reduzir o número de analistas, gerar menos papelada e ter uma equipe formada por agentes de IA que trabalham sem descanso. Mas acabaram de descobrir que destruir empregos não é o caminho correto.

De repente, nas ofertas de emprego para preencher as vagas dos bancos e gestores de fundos, disparou um perfil muito específico: alguém que atue como um maestro para os agentes de IA.

Segundo dados da plataforma de contratação Draup aos quais o site CNBC teve acesso, as vagas relacionadas à IA nas grandes instituições de gestão de fundos de investimento, como JPMorgan, Citi e Capital One, totalizaram 139.819 neste ano, o que representa um aumento de 49% em relação a 2025.

Em contrapartida, segundo a revista Forbes, os grandes bancos eliminaram mais de 5.000 postos de trabalho durante o primeiro trimestre, apesar de terem obtido lucros recordes. Jamie Dimon, CEO do JPMorgan, apresenta isso como uma reestruturação da equipe: “contrataremos mais gente de IA e menos banqueiros em certas categorias”. Seu plano para o restante dos funcionários passa pela rotatividade natural: entre 25.000 e 30.000 saídas por ano.

Um maestro para a IA

Os dados da Draup destacam que, mais do que engenheiros para desenvolver os diferentes modelos de IA, as empresas financeiras estão procurando profissionais capazes de orquestrar e integrar o trabalho dos agentes de IA aos processos da companhia.

Esses profissionais são responsáveis pelo desenho de equipes de agentes de IA que dividem uma tarefa entre si. Um agente revisa dados brutos, outro analisa um documento e um terceiro verifica as normas que regulamentam as operações. As menções a essas habilidades nas ofertas de emprego cresceram 1.721% no último ano. “Pode-se dizer que esta é a habilidade mais procurada em Wall Street”, afirmou Vijay Swaminathan, CEO da Draup.

Além da demanda por "capitães" para as equipes de agentes de IA, também cresce consideravelmente outra categoria voltada a colocar limites neles. As menções a profissionais com habilidades em Inteligência Artificial Responsável cresceram 657%, as de governança de IA, 394%, e as de gestão de riscos, 359%. No total, as referências à governança geral da IA somam mais de 16.000 novas ofertas, quase o dobro das 8.400 vagas para treinar e operar modelos de IA.

Essa demanda por profissionais de governança da IA tem sua lógica. O guia de riscos que os reguladores estadunidenses publicaram em abril deixa de fora a IA generativa e a IA agêntica, por serem tecnologias novas e mutáveis. Cada banco deve estabelecer seus próprios limites e controles para que a IA não aja livremente, colocando em risco o dinheiro de seus clientes. Uma pesquisa da KPMG afirma que 51% dos bancos já testam agentes de IA em suas operações, portanto incorporar funcionários para supervisioná-los tornou-se uma prioridade.

Meta teve resultados negativos

Ficou demonstrado que apostar na IA sem reforçar um sistema de controle para ela não traz bons resultados. O Project OT era o plano da Meta para que a IA fizesse o trabalho diário de até 60% dos funcionários de algumas de suas equipes. A companhia executou em maio a primeira parte de seu plano de reestruturação, demitindo 10% de sua equipe. Logo depois, dados internos demonstraram que os incidentes técnicos e de segurança aumentaram 40% e o tempo para corrigi-los, 70%.

Zuckerberg cancelou a segunda rodada de demissões que estava prevista e admitiu que havia errado nos prazos. A Ford acabou chegando ao mesmo ponto com seu controle de qualidade: recontratou engenheiros experientes para supervisionar o trabalho dos algoritmos que a companhia utilizava em sua linha de produção.

Imagem | Aditya Vyas (Unsplash)

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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