Antes do guarda-roupa mágico existiu o canto de Aslan: o novo filme de Nárnia na Netflix revela a verdadeira origem do Universo

Esqueça por um instante o guarda-roupa e a Feiticeira Branca: a nova adaptação mergulha na criação de Nárnia e promete uma viagem visual bem diferente dos filmes anteriores

imagem produzida por IA sobre o filme 'Nárnia: O Sobrinho do Mago'
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Laura Vieira

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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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Se você cresceu nos anos 2000 acompanhando histórias de fantasia, é difícil não associar As Crônicas de Nárnia à descoberta de mundos escondidos, criaturas mágicas e aventuras que pareciam não ter fim. Agora, quem estava com saudades de atravessar o guarda-roupa e voltar a Nárnia tem um novo motivo para se animar: a Netflix divulgou nesta terça-feira (13/10) o primeiro trailer de “Nárnia: O Sobrinho do Mago”, nova adaptação da obra de C. S. Lewis dirigida por Greta Gerwig, de Barbie.

Previsto para chegar aos cinemas em fevereiro de 2027 e à plataforma em 2 de abril do mesmo ano, o filme volta no tempo para mostrar como Nárnia surgiu. A história deixa de lado, por enquanto, a jornada dos irmãos Pevensie e acompanha duas crianças que descobrem caminhos para outros mundos. E, antes mesmo de existir o famoso guarda-roupa, há um acontecimento ainda mais extraordinário: um leão cósmico que dá vida a um universo por meio da música. Assista ao trailer:

Muito antes dos Pevensie, Nárnia nasceu de uma canção

Narnia O Sobrinho Do Mago

Quem conheceu a franquia pelos filmes O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa (2005), Príncipe Caspian (2008) e A Viagem do Peregrino da Alvorada (2010) está acostumado a encontrar Nárnia já formada, com seus reinos, criaturas falantes e conflitos entre o bem e o mal. O novo longa muda essa perspectiva ao adaptar O Sobrinho do Mago, livro publicado por C. S. Lewis em 1955, que apresenta a origem desse mundo fantástico.

A história acompanha Digory Kirke e Polly Plummer, duas crianças que acabam envolvidas nos experimentos de André Ketterley, tio de Digory, interpretado por Daniel Craig. Por meio de anéis mágicos, os protagonistas conseguem viajar entre diferentes mundos e chegam a lugares que vão muito além da realidade que conhecem. A aventura também os coloca diante de Jadis, personagem que mais tarde se tornará a Feiticeira Branca, uma das figuras mais emblemáticas da franquia.

É nesse percurso que as crianças testemunham o nascimento de Nárnia. A trama acompanha a criação de um mundo inteiro, incluindo a participação de Aslan, o leão associado à esperança e à proteção dos habitantes daquele lugar.

A proposta ajuda a entender por que a escolha desse livro como ponto de partida é tão significativa. Embora O Sobrinho do Mago tenha sido publicado cinco anos depois de “O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa”, em 1950, sua história acontece antes dos acontecimentos do livro mais conhecido. A nova adaptação, portanto, privilegia a ordem cronológica dos acontecimentos, e não a sequência em que os livros chegaram às livrarias.

A própria Greta Gerwig explicou que quis começar pela origem do universo criado por Lewis. Em uma apresentação sobre o filme, a diretora descreveu a diferença entre essa história e outras grandes produções de fantasia: enquanto muitas apostam na destruição como motor dramático, o foco de “O Sobrinho do Mago" se concentra na criação.

Essa escolha abre espaço para explorar um aspecto que sempre diferenciou Nárnia de aventuras fantásticas mais convencionais. A magia não está apenas nos portais, nos animais que falam ou nos objetos encantados, mas também na possibilidade de descobrir algo que ainda não existia. O guarda-roupa que conecta dois mundos é uma das imagens mais conhecidas da franquia, mas a nova história volta ainda mais para mostrar como esse universo passou a existir.

A nova Nárnia troca o realismo dos filmes anteriores por uma fantasia exuberante

A origem de Nárnia também ganha uma nova identidade visual no trailer. Conhecida por trabalhos como “Lady Bird”, “Adoráveis Mulheres” e “Barbie”, Greta Gerwig parece interessada em se afastar da aparência mais realista das adaptações anteriores e explorar uma fantasia mais extravagante, com cores intensas, cenários elaborados e imagens que flertam com o psicodélico.

O contraste aparece desde a passagem do mundo cotidiano para os ambientes mágicos. A narrativa começa em uma Grã-Bretanha dos anos 1950 e, à medida que os personagens atravessam os limites da realidade conhecida, surgem paisagens incríveis. Um dos destaques é Charn, o reino associado a Jadis, que ajuda a apresentar a dimensão visual dessa nova versão.

O trailer também mostra Aslan tomando forma em meio às estrelas e a luz se espalhando quando o leão ruge. A sequência sugere que a criação de Nárnia será tratada como um acontecimento cósmico. A intenção combina com o próprio conceito do livro, no qual a música de Aslan participa diretamente do nascimento do mundo.

A trilha escolhida para o trailer reforça essa direção. Ao som de Stairway to Heaven, do Led Zeppelin, as imagens ganham uma energia que aproxima a fantasia de espetáculo musical. A trilha sonora original ficará a cargo de Mark Ronson e Andrew Wyatt, que já trabalharam com Greta Gerwig em Barbie.

elenco do filme

O elenco também reúne nomes conhecidos e jovens estreantes. David McKenna interpreta Digory, enquanto Beatrice Campbell vive Polly. Daniel Craig aparece como tio André, Emma Mackey interpreta Jadis e Meryl Streep empresta a voz a Aslan. Carey Mulligan, Ciarán Hinds, Kobna Holdbrook-Smith, Denise Gough e Susan Wokoma também integram a produção.

A escalação de Merly Streep para dar voz ao leão já provocou burburinho entre fãs, mas o trailer ainda não permite avaliar completamente sua interpretação. Por enquanto, o que mais se destacou é a maneira como a produção apresenta Aslan como parte central da criação de Nárnia, e não apenas como uma figura que aparece para conduzir os heróis em momentos decisivos.

A mudança de estilo pode causar estranhamento em quem guarda na memória a aparência dos filmes dos anos 2000. Afinal, parte do encanto das adaptações anteriores vinha justamente da combinação entre cenários reconhecíveis e acontecimentos impossíveis, como se o mundo mágico pudesse existir logo depois de uma porta ou no meio de uma floresta. A nova versão parece preferir o caminho inverso: tornar o fantástico tão grandioso que seja impossível confundi-lo com a realidade.

O filme tem estreia prevista nos cinemas em fevereiro de 2027, com sessões antecipadas em IMAX, e chega à Netflix em 2 de abril. 

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