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Surto de peste pneumônica na Rússia preocupa EUA e Europa

Oficialmente, não há peste em Irkutsk

Peste pneumônica
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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A morte de Daria Shipilova, funcionária de 28 anos do Instituto Antipeste da Sibéria e do Extremo Oriente (Rússia), que faleceu na noite de 1º para 2 de outubro, ligou um alerta para autoridades sanitárias em todo o mundo. Existe a desconfiança de que a cidade de Irkutsk esteja passando por um surto de peste pneumônica (doença infecciosa grave causada pela bactéria Yersinia pestis, a mesma da “peste negra”).

O governo russo nega. A agência sanitária do país, a Rospotrebnadzor, informou que exames em cerca de 200 pessoas que tiveram contato com Daria não detectaram patógenos perigosos (apenas casos isolados de Covid-19 e rinovírus), atribuindo o falecimento a uma “pneumonia de etiologia não estabelecida”. 

Apesar disso, as gestantes que vão ao Centro Perinatal recebem um formulário com perguntas sobre uma série de sintomas, como febre ou congestão nasal. O formulário é encabeçado pela frase “Lista de verificação diante da suspeita de infecção especialmente perigosa: peste”. Por isso, nem os EUA, nem a Europa, nem a OMS confiam na versão oficial.

As circunstâncias continuam sem confirmação

Em 6 de outubro, o CDC dos EUA publicou uma nota na qual explica que “continua acompanhando de perto” o caso, mas que, por enquanto, não vê indícios sérios de que ele possa representar uma ameaça para o país. Segundo a agência de notícias Reuters, a Casa Branca chegou a oferecer ajuda à Rússia, mas o país a rejeitou porque “conseguiriam lidar com a situação sozinhos”.

Um dia antes, a OMS pediu à Rússia informações para verificar o caso, os exames em andamento e o rastreamento de contatos. A peste pneumônica é uma das poucas doenças que exigem a aplicação do protocolo internacional de avaliação (porque seu potencial epidêmico é conhecido) e uma morte suspeita relacionada a um centro que manipula Yersinia pestis é uma anomalia bastante grave.

Enquanto a Rússia continua negando tudo, um funcionário do instituto onde Shipilova trabalhava contou a um veículo de comunicação independente (People of Baikal) que cerca de 200 pessoas passaram três dias confinadas no prédio, realizando exames com coleta de esfregação duas vezes por dia. A Rádio Svoboda, com base em outra fonte, menciona mais de 60 pessoas.

Ao que parece, as autoridades chegaram a identificar 197 contatos e colocar 189 pessoas em observação. Isso sem contar todos os centros da região que estão sob estrita supervisão.

O porquê do alarde

Seria muito fácil para a Rússia acabar com todos esses rumores. Bastaria publicar os resultados da cultura, do PCR ou da sorologia de Shipilova. É verdade que alguns exames só teriam resultados na próxima semana, mas isso não explica por que a Rospotrebnadzor descartou essa possibilidade logo de início.

Está claro que continuamos sem evidências conclusivas e que isso só deixa as autoridades mais nervosas. Não apenas porque essa forma de peste é muito contagiosa, mas porque esse tipo de notícia põe em xeque o sistema de vigilância epidemiológica do mundo inteiro.

Estamos caminhando para outra pandemia? É muito pouco provável. Salvo alguma surpresa de última hora, o mundo sabe como lidar com a peste pneumônica. É um adversário difícil, mas já conseguimos controlá-lo. A dúvida está em todo o resto: o que está acontecendo lá em cima e, sobretudo, o quanto chegaremos a saber.

Imagem | S Z

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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