O maior roubo de vinho da história da Itália: ladrões levam 30 mil garrafas avaliadas em cinco milhões de euros

Garrafas foram furtadas em caminhões estacionados dentro da própria vinícola

Roubo de vinhos
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Entre sábado, 3 de outubro, e domingo, dia 4, sete homens encapuzados estacionaram dois caminhões dentro de uma vinícola na Toscana, na Itália, e levaram, em uma noite, 30 mil garrafas da Marchesi Antinori. Isso significa muitos litros e muito dinheiro.

Os ladrões desativaram o alarme e as câmeras da sede de Cortona. Os caminhões tinham placas falsas e, para carregá-los, os bandidos usaram os próprios carrinhos de transporte da vinícola. Os funcionários só descobriram o ocorrido na segunda-feira. A empresa esperou até sexta-feira, 9, para tornar o caso público, a fim de não atrapalhar a investigação.

Os alvos foram três tintos da safra de 2023: Solaia, Tignanello e Guado al Tasso. Segundo o diretor-executivo, Renzo Cotarella, foram levadas entre 10 mil e 12 mil garrafas de Solaia, um tinto de produção limitada (entre 50 mil e 70 mil garrafas por ano, segundo a fonte), além de outras tantas de Tignanello. 2023 foi uma das melhores safras das últimas décadas na região. Cada garrafa custa entre 120 e 500 euros (R$ 670 a R$ 2.800). A vinícola, fundada em 1385 e administrada pela mesma família há 26 gerações, estima o prejuízo em 5 milhões de euros e classifica o caso como “o maior roubo de vinho da história da Itália”.

Roubo sob encomenda

Está claro que os ladrões sabiam o que levar e onde encontrar. Cortona é o centro logístico do grupo: de lá partem os caminhões para toda a Europa. A mercadoria estava pronta para ser enviada: uma parte para os négociants de Bordeaux, clientes fiéis de Solaia, e outra para os EUA. Piero Antinori, presidente honorário, compara o caso a entrar em uma joalheria e suspeita que tenha sido um roubo sob encomenda, um daqueles golpes no estilo de “Uma Saída de Mestre”, em que os ladrões precisavam saber de antemão onde armazenar tanto vinho.

Em meados de setembro, outra quadrilha levou 3 mil garrafas de Barolo da vinícola Conterno Fantino, em Monforte d'Alba, avaliadas em 300 mil a 400 mil euros. Cotarella aponta que pode ser o mesmo grupo que atacou outras vinícolas italianas nos últimos meses. O recorde anterior datava de 2017: 2 mil garrafas avaliadas em 750 mil euros em um armazém de Cervia. O problema é que o roubo desta semana multiplica aquele número por 15.

Vinho

A apólice da seguradora prevê algumas caixas perdidas durante o transporte, não dois caminhões dentro do galpão, e Cotarella admite que é pouco provável que as seguradoras cubram uma operação desse porte. A vinícola atualizou seu sistema de segurança há cerca de três anos.

Como vender

Esse é o problema dos ladrões: não dá para vender um Solaia roubado em uma feira popular ou em um restaurante de segunda categoria. Cada garrafa traz o número do lote e a Antinori pode rastreá-la. As garrafas podem acabar nas mãos de colecionadores, restaurantes e lojas especializadas em vinhos, mas vender tantas garrafas sem chamar a atenção é quase impossível (como acontece com uma obra de arte sem um comprador previamente definido). Quem comprar também estará sujeito a uma denúncia por adquirir bens roubados. A vinícola já enviou alertas a clientes do mundo inteiro. Cotarella confia nas câmeras das estradas toscanas.

A União Europeia vem implementando há meses um pacote para o setor do vinho que incentiva a destruição voluntária e definitiva de vinhedos. Em La Rioja, a colheita em verde (retirar as uvas antes que amadureçam) é remunerada entre 2.300 e 2.600 euros por hectare. A França enfrenta uma de suas piores colheitas dos últimos 30 anos, e Champagne prevê produzir metade do que produziu no ano passado.

Segundo a OIV, o consumo mundial caiu em 2025 para 208 milhões de hectolitros, 2,7% a menos que em 2024. Desde 2018, acumula uma queda de 14%. A China passou de 12,4 milhões de hectolitros em 2020 para 4,8 milhões em 2025. No entanto, o vinho de luxo sempre tem um comprador à espera. 

Para contornar a crise, o setor aposta em menos garrafas, mais escassas e com preços mais altos. Exclusividade pura e simples. E 5 milhões de euros é pouco em comparação com o problema das fraudes: entre 2013 e 2017, as falsificações custaram à UE nada menos que 2,289 bilhões de euros por ano em vendas de vinho e bebidas destiladas.

De qualquer forma, a promotoria de Arezzo abriu um inquérito, e tanto os carabinieri quanto a polícia estão analisando as gravações antes que as pistas esfriem. Estamos em 10 de outubro e nenhum dos sete homens encapuzados que levaram os dois caminhões com 30 mil garrafas deu sinal de vida.

Imagens | Tugce Turan (Pexels) / Flickr

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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