Há 41 anos, um time de Osaka foi vítima de uma maldição; o KFC organizou um funeral para salvá-lo

Lesões de jogadores cruciais, temporadas para esquecer, oportunidades únicas que escapavam por entre os dedos... E tudo por causa de uma maldição do KFC

Há 41 anos, um time de Osaka foi vítima de uma maldição. O KFC organizou um funeral para salvá-lo.
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Fabrício Mainenti

Redator

Em março de 2024, representantes do KFC chegaram ao santuário Sumiyoshi Taisha, em Osaka, com uma intenção inusitada. Queriam despedir-se do Coronel Sanders como manda o figurino. Bem, melhor dizendo, de uma estátua de plástico do Coronel Sanders à qual se atribuía uma maldição que perdurava há décadas.

Como em qualquer funeral xintoísta, os sacerdotes realizaram o ritual para conceder-lhe descanso e fizeram oferendas de saquê e — como não poderia deixar de ser — também do frango frito da empresa. Acreditavam que, após quase 40 anos de maldição esportiva, aquela era a única maneira de garantir que os Tigers voltassem a vencer a liga. E, surpreendentemente, foi o que aconteceu.

O funeral japonês do Coronel Sanders, do KFC

Para entender a origem de toda essa admiração e superstição em torno de uma daquelas estátuas de plástico que ficam na entrada dos restaurantes, é preciso voltar a 1985, quando os Hanshin Tigers, famoso time de beisebol japonês, conquistaram a liga principal do Japão. Após muitos anos sem vencer, a euforia coletiva tomou conta da cidade de Osaka.

Há 41 anos, um time de Osaka foi vítima de uma maldição. O KFC organizou um funeral para salvá-lo.

Dirigindo-se ao rio para que os torcedores mais parecidos com os jogadores pudessem pular na água e celebrar o título, as pessoas iam saltando ao som de cânticos até chegarem a Randy Bass, jogador americano com quem — como é fácil imaginar — ninguém se parecia muito. O que mais se assemelhava a ele era uma estátua do Coronel Sanders de um KFC próximo; sem pensar duas vezes, roubaram a estátua e a jogaram no rio.

Pouco depois disso, as desgraças começaram a atingir os Tigers. Lesões de jogadores fundamentais, temporadas para esquecer, oportunidades únicas que escapavam por entre os dedos... A única explicação que veio à cabeça do público foi pensar que aquilo não podia ser apenas má sorte; tinha de ser uma maldição.

Lembrando-se daquela estátua, em 1988 um programa de televisão tentou resgatá-la do fundo do rio sem muito sucesso e, enquanto os problemas se acumulavam para os Tigers, o peso da superstição tornava-se cada vez mais presente entre os torcedores.

Só conseguiram recuperá-la em 2009, quando, durante trabalhos de limpeza, encontraram a estátua em péssimo estado, coberta de algas e com grande parte da estrutura danificada. Nem mesmo isso resolveu.

Os Tigers tiveram que esperar até 2023 para voltar a vencer o campeonato e, conscientes de até que ponto aquela estátua havia se tornado parte da equipe, acreditaram que o justo seria terminar de pedir perdão a ela para encerrar a maldição. Realizar um funeral com todas as honras era, depois de tudo aquilo, o mínimo que podiam fazer.

Imagem de capa | Fugu Tabetai

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