Todos os novos produtos da Apple para a casa continuam dependendo do iPhone

HomeView, Apple TV 4K e HomePod mini 2 não funcionam exatamente como dispositivos independentes, mas como extensões do iPhone

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Ontem, 13/10, a Apple apresentou o HomeView, um novo gadget que serve como hub doméstico e integra funções de casa inteligente. No anúncio, uma família de cinco pessoas tenta sair de casa pela manhã em meio a torradas, chaves perdidas e discussões sobre o termostato. Ninguém está com um iPhone na mão, mas todos estão com um no bolso. Sabemos disso porque, sem ele, a tela da cozinha não conseguiria saber quem é cada pessoa.

Esse detalhe resume perfeitamente o que a Apple apresentou ontem: nenhum de seus novos produtos para a casa faz sentido por completo por conta própria. Todos dependem do iPhone.

O HomeView é uma tela de 7 polegadas com alto-falante que custa US$ 299 (R$ 1.500) nos EUA, mas está indisponível para o Brasil. Ele reconhece até seis rostos e mostra a cada pessoa suas mensagens, seu calendário e seus lembretes. Mas não faz isso de forma autônoma:

  • Não tem Face ID. Para reconhecer seu rosto, precisa vê-lo, mas também precisa que seu iPhone esteja na mesma rede Wi-Fi e tenha sido desbloqueado recentemente.
  • Não armazena seus dados. Consulta essas informações no seu iPhone sempre que você pergunta algo pessoal.
  • Seus aplicativos de terceiros funcionam com a mesma tecnologia do CarPlay. Ou seja, exibem os aplicativos compatíveis que estão no seu iPhone, mas nada de acessar uma App Store para baixar aplicativos específicos.

Os outros novos produtos domésticos da Apple funcionam da mesma maneira. Isso inclui o Apple TV 4K e o HomePod mini 2.

  • Apple TV 4K: para usar a Siri AI com informações pessoais, o proprietário da casa precisa de um iPhone com Apple Intelligence. Sem a Siri AI, as novidades são menores.
  • HomePod mini 2: a Siri AI chegará mais adiante, e será necessário ter esse iPhone para ativá-la. Sem a Siri AI, o modelo é quase idêntico ao HomePod mini original, de 2020.
  • Apple Home Collection: os acessórios desenvolvidos com a LG e a Schneider Electric são configurados aproximando o iPhone. É a parte mais compreensível: afinal, continuam sendo acessórios propriamente ditos.

A Apple não lançou uma linha de produtos para a casa. Lançou acessórios do iPhone para a casa. Foi isso que John Ternus antecipou há um mês, ao definir o telefone como um “hub pessoal inteligente” na introdução da keynote de setembro.

O HomeView não será vendido na União Europeia porque a Siri AI não está disponível no iOS na Europa. Já o Apple TV 4K e o HomePod mini 2, sim, chegarão ao mercado europeu, mas sem aquilo que melhor justifica esses produtos fora da Europa:

  • HomePod mini 2: novas cores, um chip mais rápido, a opção de usá-lo como alto-falante do Mac e o Sound Glow, luzes que imitam a capa do álbum e que também chegarão ao modelo atual.
  • Apple TV 4K: chip A19, suporte ao AV1, um controle remoto localizável e som surround com quatro HomePods. Seus microfones para receber comandos de voz sem o controle remoto não funcionarão em espanhol.

São melhorias razoáveis, mas típicas de uma atualização convencional. E, por causa da crise da memória RAM e outros motivos, chegam com aumentos consideráveis de preço: o HomePod mini custava 99 euros em 2020 e o Apple TV 4K de 2022 partia de 169 euros (189 euros na versão equivalente, com Ethernet e 128 GB). Isso representa aumentos de 70% e 85% no primeiro caso e de 106% no segundo, em seis e quatro anos, respectivamente.

Em resumo, o que a Apple apresentou não é uma estratégia para a casa. É uma estratégia para manter o iPhone no centro de tudo, mesmo quando você não está com ele na mão. 

Imagem | Apple

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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