O segmento dos navegadores está um pouco menos agitado do que há alguns anos, mas há quem continue avançando com conceitos interessantes. Um dos últimos a dar uma nova abordagem a esses aplicativos foi o Opera. A versão para desenvolvedores do navegador Opera integra uma VPN gratuita e ilimitada, algo que representa uma solução útil para os amantes e defensores da privacidade — e dos conteúdos bloqueados por região, é claro.
Muitos são os serviços que tentam nos oferecer uma VPN para que possamos ter acesso a essas mesmas vantagens, mas é preciso ter cuidado. No passado, já falamos sobre os problemas que o uso de VPNs gratuitas pode gerar, por isso será necessário ficar de olho no Opera. Por enquanto, o fato é que esse recurso funciona muito bem. A seguir, nossas impressões.
Mais simples, impossível
Ativar a opção é muito fácil. Basta abrir o navegador, acessar o menu Configurações (Alt+P), ir até a seção Privacidade e segurança e, ali, simplesmente marcar a caixa “Enable VPN”.
A partir desse momento, ao abrir uma nova aba, veremos aparecer na barra de endereços um ícone que indica que estamos navegando com a VPN ativada. Se clicarmos nesse botão, veremos os dados de consumo (o quanto navegamos pela rede privada virtual), mas também poderemos definir de qual país queremos simular estar navegando. Nesta versão, é possível utilizar endereços IP da Alemanha, do Canadá e dos EUA.
Ao selecionar qualquer um desses países, poderemos aproveitar a camada de privacidade proporcionada pela navegação com um endereço IP que não é realmente o nosso, o que, entre outras coisas, nos permite acessar conteúdos bloqueados por região e proteger nossa privacidade. O uso do Opera e dessa VPN é especialmente interessante em países onde o acesso a todos os tipos de serviços e páginas da internet é muito restrito.
Nossos testes: a Netflix funciona! (por enquanto)
A verdade é que a ideia do Opera é fantástica para facilitar o uso dessas redes privadas virtuais e, uma vez ativado, o recurso é totalmente transparente para o usuário, que simplesmente perceberá que pode acessar sites aos quais antes não tinha acesso e fazer isso com um endereço IP que protege sua privacidade.
Não conseguia assistir à quarta temporada de “House of Cards” na Netflix? Agora consegue.
Isso, no entanto, tem suas consequências: como acontece com qualquer serviço de VPN, a velocidade de navegação é prejudicada. Tudo demora mais para carregar, o que pode tornar o acesso a determinados serviços um pouco mais lento. Em meus testes, cronometrei o tempo de acesso a vários sites e percebi que, em média, esses tempos realmente aumentavam de forma significativa:
Apesar disso, a experiência de navegação era bastante satisfatória e, salvo em casos excepcionais, não houve problemas com essas esperas, sobretudo quando pensamos que, em troca desse tempo adicional, obtemos benefícios evidentes em termos de privacidade.
No entanto, o mais interessante é poder acessar serviços que não estão disponíveis em nosso país ou que estão disponíveis de forma limitada. O melhor exemplo dessa capacidade é que a Netflix funciona. É possível assistir à programação dos EUA graças a essa VPN, algo que nos surpreende, considerando que a empresa vem bloqueando VPNs há algum tempo.
Podemos assistir a The Office (US) na Netflix pelo Opera com a VPN ativada (à esquerda)
É provável que esse serviço também acabe sendo bloqueado nessa opção do Opera, mas esse é apenas um pequeno exemplo de tudo o que podemos fazer. A VPN permite, por exemplo, acessar aqueles vídeos do YouTube que não podemos assistir por não estarmos nos EUA. As possibilidades são muitas e, certamente, esse recurso nos poupa das decepções de tentar acessar diversos conteúdos que, por uma razão ou outra, não podem ser consultados a partir do nosso país.
Como funciona a VPN do Opera?
O serviço de rede privada virtual oferecido pelo Opera não é fornecido pela própria empresa. Para disponibilizar esse recurso, ela conta com a ajuda e a colaboração da SurfEasy Inc., uma empresa canadense — daí a oferta de endereços IP desse país entre as opções — que atua nesse setor há bastante tempo.
O Opera comprou essa empresa em março de 2015 e, embora na época tenha informado apenas que acabaria integrando seus serviços aos navegadores, não disse quando isso aconteceria. Demorou, é verdade, mas o resultado é, a princípio, invejável.
O que não está totalmente claro é o que o Opera ganha ao oferecer esse serviço gratuitamente, sobretudo considerando a enorme quantidade de recursos necessários para operar uma VPN de forma eficiente. É verdade que, graças a esse recurso, a participação do Opera no mercado poderia aumentar, o que também afetaria suas receitas com a integração de mecanismos de busca como o Google, como acontece no caso do Firefox.
No entanto, também é possível que o serviço atual seja apenas um primeiro passo rumo a uma oferta comercial mais completa, capaz de atrair usuários que desejam proteger sua privacidade com mais garantias ou empresas que também queiram contar com esse tipo de vantagem.
Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.
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