NASA descobre "planeta de segunda geração": ele se formou das cinzas de uma estrela morta e desafia a ciência

Estudo aponta que o planeta pode ter se formado a partir de material expelido por uma estrela em seus estágios finais

Nasa
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Natália P. Martins

Redatora
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Astrônomos identificaram um possível planeta de segunda geração orbitando uma anã branca, o núcleo remanescente de uma estrela que chegou ao fim de sua vida. Diferentemente dos planetas que se formam ao redor de estrelas jovens, este pode ter surgido de material expelido durante a morte estelar, uma hipótese que desafia os modelos tradicionais de formação planetária.

O objeto está associado à anã branca HS 0209+0832 e foi investigado por pesquisadores da Universidade de Warwick, no Reino Unido.  

O que é um planeta de segunda geração?

A maioria dos planetas conhecidos se formou a partir de discos de gás e poeira que cercavam estrelas jovens. No caso de um planeta de segunda geração, o processo acontece em outro momento: ele se forma com material expelido por uma estrela durante suas etapas finais de vida.

Quando uma estrela semelhante ao Sol envelhece, ela se expande e libera suas camadas externas. O núcleo restante pode se tornar uma anã branca, enquanto parte do material ejetado permanece ao redor dela. Em condições específicas, esse material pode formar um disco capaz de dar origem a um novo planeta.

Telescópio Hubble encontrou pistas incomuns

O sistema HS 0209+0832 já intrigava os astrônomos desde 1999, quando observações do Telescópio Espacial Hubble, da NASA, revelaram elementos químicos incomuns na atmosfera da anã branca.

Análises identificaram concentrações elevadas de elementos como nióbio, cobre e zinco — substâncias que podem ser produzidas por reações nucleares que acontecem no interior de estrelas durante fases avançadas de evolução.

Shutterstock 2297454427 Telescópio espacial Hubble encontrou elementos química incomuns ao redor da estrela. Foto: Shutterstock

A explicação proposta pelos cientistas é que esses elementos teriam vindo da atmosfera do planeta. A radiação intensa da anã branca estaria arrancando material do objeto, que depois retorna à estrela e contamina sua atmosfera.

Planeta gigante está perdendo sua atmosfera

A distância estimada entre os dois corpos é de cerca de 6 milhões de quilômetros. Como a estrela remanescente ainda é extremamente quente, a radiação pode estar provocando a perda gradual da atmosfera do planeta.

Os cientistas estimam que o objeto tenha dimensões semelhantes às de Júpiter. Entretanto, a interpretação dos dados ainda não equivale a uma confirmação definitiva de todos os detalhes sobre sua formação e suas características.

Descoberta pode mudar o que se sabe sobre sistemas planetários

O estudo, publicado na revista Nature Astronomy em outubro de 2026, apresenta evidências de um possível planeta formado depois da morte de sua estrela hospedeira. A hipótese abre novas possibilidades para investigar a evolução dos sistemas planetários.

Os pesquisadores também consideram que a formação desse tipo de mundo pode depender de condições específicas, como a presença de uma estrela companheira capaz de influenciar a dinâmica do material expelido.

Se a interpretação for confirmada, o sistema HS 0209+0832 mostrará que a morte de uma estrela não precisa representar o fim da formação de planetas ao seu redor. Em determinadas circunstâncias, o material liberado durante essa etapa pode dar origem a uma nova geração de mundos.

Imagem de capa: Divulgação/NASA

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