É possível aproveitar a água quente dos oceanos para gerar eletricidade? Projeto na Espanha quer demonstrar que sim

A diferença de temperatura entre as camadas mais superficiais e as mais profundas pode se transformar em uma fonte de energia

Água do mar
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Nosso planeta é uma gigantesca fonte de energia. Embora já soubéssemos que as ondas dos mares têm grande potencial como fonte de energia renovável, um método não tão novo, chamado energia maremotérmica, pretende aproveitar a diferença de temperatura entre a superfície e o fundo do oceano para gerar eletricidade continuamente, 24 horas por dia.

E parece que as Ilhas Canárias, na Espanha, têm tudo para se beneficiar dessa tecnologia.

Assim como acontece no litoral, o Sol aquece a superfície do oceano. Em algumas regiões, especialmente nas zonas tropicais, a temperatura da água próxima à superfície pode ser muito mais alta do que a das águas profundas: segundo a Administração de Informação Energética dos EUA, essa diferença térmica pode chegar a 20 °C.

O aproveitamento dessa diferença é chamado de conversão de energia térmica oceânica (OTEC, na sigla em inglês) e não é exatamente uma ideia nova: como relata o site Infobae, há 140 anos se explora o potencial do oceano para fornecer energia limpa. De acordo com um relatório de 2021 do National Laboratory of the Rockies, citado pelo El Periódico de la Energía, apenas o aproveitamento das águas que cercam os EUA por meio da OTEC poderia atender à demanda de eletricidade de todo o país.

Como funciona a OTEC?

Os sistemas OTEC procuram aproveitar essa diferença de temperatura para gerar eletricidade por meio de um ciclo contínuo. A princípio, o funcionamento parece simples: primeiro, capta-se a água quente da superfície do oceano, que está a cerca de 24 °C, para aquecer e, por fim, evaporar um fluido de trabalho. Como a temperatura não é especialmente elevada, costuma-se utilizar um fluido com baixo ponto de ebulição, como a amônia, conforme explica o El Periódico de la Energía. O vapor produzido é usado para girar uma turbina e, assim, gerar eletricidade.

Paralelamente, extrai-se água das profundezas do oceano, a até cerca de 1.000 metros de profundidade, onde as temperaturas ficam em torno de 4 °C. Essa água fria é usada para resfriar o vapor de amônia e condensá-lo, permitindo que o ciclo recomece indefinidamente.

Projeto em desenvolvimento

Um exemplo dessa tecnologia está sendo testado atualmente nas Ilhas Canárias, na Espanha, onde a empresa britânica Global OTEC está implantando o primeiro sistema desse tipo no país, com a participação da Plataforma Oceânica das Canárias (PLOCAN). O projeto começou em 2022 e conta com o apoio do programa Horizonte Europa, da União Europeia, que concedeu um financiamento de 3,5 milhões de euros. Esses recursos permitiram desenvolver o protótipo que está sendo testado: uma estrutura cilíndrica flutuante que, segundo o Infobae, incorpora uma tubulação para captar a água fria e um sistema para realizar o ciclo com a água do mar.

Se a tecnologia funcionar adequadamente e se provar viável, poderá se tornar uma solução interessante para localidades que, como as Ilhas Canárias, possuem um sistema energético fragmentado, dependem excessivamente de energia proveniente do exterior e, mais especificamente, são fortemente dependentes de combustíveis fósseis.

Imagem | Global OTEC

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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