Romênia tira a liderança solar da Alemanha: veja como será a maior usina de energia da Europa

O país da UE mais atrasado em energias renováveis ​​quer correr atrás do prejuízo: a Romênia quer ter a maior usina solar de todo o continente

Romênia tira a liderança solar da Alemanha: veja como será a maior usina fotovoltaica da Europa
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Fabrício Mainenti

Redator

Em 2020, falava-se da "Núñez de Balboa", a usina solar de Badajoz que se destacava como a maior da Europa. Em 2024, uma nova e enorme usina solar instalada em uma antiga mina na Alemanha tomou-lhe o título e, nos próximos anos, a maior usina fotovoltaica do Velho Continente mudará para uma localização totalmente inesperada: a Romênia, um dos países mais atrasados ​​da UE em energia solar.

A megausina solar da Romênia

Chama-se Dama Solar e tem por trás a Rezolv Energy, cuja subsidiária West Power Investments recebeu autorização do órgão regulador de energia romeno (ANRE) para construir a primeira fase do projeto — a última permissão legal antes do início das obras, segundo a empresa.

O empreendimento será realizado em um local estratégico, em Pilu e Grăniceri, na região de Arad, próximo à rede de transmissão de 400 kV e aos pontos de interconexão com a Hungria.

A instalação ocupará mais de mil hectares e terá uma capacidade instalada de 1,2 GW, tornando-se assim a maior usina da Romênia e também da Europa. Segundo a desenvolvedora, a usina permitirá suprir, de forma realista, o consumo de mais de 280.000 residências, ou seja, cerca de um milhão de pessoas.

Por que isso importa

Deixando de lado a curiosidade sobre o título, ela superaria a alemã Witznitz (650 MW) e competiria de igual para igual com a turca Kalyon Karapınar (1,35 GW), embora esta última esteja fora da UE.

Para a Romênia, a instalação e o início da operação desta usina representariam mais do que dobrar sua atual produção de energia solar (segundo dados da Euronews) e dar um passo gigantesco rumo à descarbonização do país e ao cumprimento de suas metas de energia renovável para 2030.

Embora os números do projeto sejam enormes por si sós, a Dama Solar também aposta na combinação da geração de eletricidade com a restauração da natureza, conforme detalha a Forbes. Assim, ao lado da usina fotovoltaica, haverá uma reserva natural de 82 hectares. Parte das terras agrícolas de menor produtividade será convertida em pastagens, com ovelhas encarregadas de "fazê-las a gestão".

Antes tarde do que nunca

Atualmente, a Romênia está na lanterna da UE em energias renováveis: em 2025, gerou apenas 9,78% de sua eletricidade a partir de fontes solares, contra uma média europeia de 13,1%, segundo dados da Ember. No setor eólico, também está atrás, com 12% em comparação com a média de 17% da UE.

De fato, o país continua dependente do gás (16,9%, índice quase alinhado aos 16,8% europeus) e, sobretudo, do carvão (15,2% frente a uma média de 9,18%). Sua principal fonte de energia é a hidrelétrica, com 24,3%.

Nesse cenário e diante da atual conjuntura energética e geográfica, o sistema elétrico romeno está sob grande pressão; por isso, a Romênia decidiu avançar, e a Dama Solar é o maior projeto de uma lista de grandes iniciativas em desenvolvimento no país. Outro exemplo é a usina híbrida de 761 MW da Enery, perto de Bucareste.

Quem financia

O investimento total estimado é de 728 milhões de euros (cerca de R$ 4 bilhões). A Rezolv Energy, apoiada pela gestora Actis e pelo fundo Mubadala, de Abu Dhabi, fechou um financiamento de até 561 milhões de euros para a usina. O Banco Europeu de Investimento é o investidor âncora e lidera um grupo de 14 credores: dez bancos comerciais e três instituições de desenvolvimento (o BERD, a IFC e o Banco do Mar Negro).

As receitas são garantidas por dois contratos por diferença adjudicados pelo Estado, abrangendo 520 MW, e por um contrato de venda de energia com uma empresa não identificada.

Cronograma

Com o financiamento fechado, a usina entra na fase de construção, e a Rezolv prevê que ela inicie a operação comercial no segundo semestre de 2028 — uma data anterior à de 2030, que era cogitada antes do fechamento financeiro.

No entanto, ainda restam algumas pendências, como a adjudicação dos contratos de obra e a execução da própria obra, bem como as licenças. Com os recursos já assegurados, o desafio agora é concluir a construção dentro do prazo.

Imagem de capa | Raphael Cruz 

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