Com sobras de ovo e arroz, pesquisadores criaram um material que armazena eletricidade e resiste a 10 mil cargas

Uma equipe da Universidade de Henan, na China, descobriu que resíduos de alimentos podem ser convertidos em um material ideal para a fabricação de supercapacitores

Reprodução
Sem comentários Facebook Twitter Flipboard E-mail
barbara-castro

Bárbara Castro

Redatora

O ovo e o arroz são dois alimentos extremamente comuns na nossa cozinha. Quem sabe se, algum dia, também o serão nos nossos carros ou na indústria. Um grupo de pesquisadores da Universidade de Henan, na China, apresentou um estudo surpreendente, demonstrando que esses ingredientes podem ser usados ​​para fabricar um dispositivo que armazena e libera energia.

A nível molecular, os alimentos possuem proteínas, carboidratos e outros compostos orgânicos que contêm carbono. Com o tratamento adequado — como a aplicação de calor —, eles podem se transformar em materiais completamente diferentes daqueles que eram originalmente, dando origem a estruturas com propriedades inéditas.

1.572 metros quadrados escondidos em um único grama

O experimento utilizou uma mistura em proporção de 1:1 entre gema de ovo e arroz residual, batizada pela equipe de YPAC-1. A amostra apresentou uma estrutura tridimensional descrita pelos pesquisadores como similar à de um favo de mel, composta por uma infinidade de microporos e mesoporos.

Por estar disposta dessa forma, a superfície específica do material aumenta enormemente (alcançando 1.572,1 metros quadrados por grama). E, quanto maior a superfície, maior é a interação dos íons com o material — e, portanto, maior é a carga armazenada. Nesse cenário, o material atingiu uma capacitância específica de 446,22 farads por grama.

Como funciona um supercapacitor?

Ao contrário de uma bateria convencional, o material fabricado a partir dessa mistura tratada de ovo e arroz atua como um supercapacitor.

  • Baterias convencionais: armazenam energia por meio de reações químicas.
  • Supercapacitores: armazenam energia de forma eletrostática, acumulando carga na interface entre um eletrodo e um eletrólito. Quanto mais superfície acessível existir para que os íons interajam, mais oportunidades há para armazenar carga de maneira rápida.

10.000 ciclos depois, o material continua funcionando

Depois de comprovar suas propriedades para supercapacitores, a equipe de Henan testou a durabilidade do composto. Os resultados foram impressionantes: após 10.000 repetições de carga e descarga, o material conservou 82,26% da sua capacitância inicial. Vale ressaltar que os testes foram realizados em condições controladas de laboratório.

Teremos supercapacitores de ovo no futuro?

O experimento é um excelente ponto de partida para demonstrar que resíduos alimentares podem ser reaproveitados como matéria-prima para a fabricação de carbono poroso voltado ao armazenamento de energia.

Contudo, entre um resultado promissor de laboratório e um produto comercializado em massa, existe um longo caminho. Por enquanto, o estudo é apenas uma prova de conceito restrita aos ensaios científicos.

Matéria traduzida de Xataka*

Inicio