Cientistas dos EUA criam a primeira bateria inspirada no metabolismo humano: ela funciona com vitamina B2 e glicose

Livre de metais pesados e totalmente biodegradável, a nova bateria de fluxo utiliza reações do nosso próprio organismo para armazenar energia renovável

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Bárbara Castro

Redatora

Uma equipe da Universidade de Utah desenvolveu uma bateria de fluxo bioinspirada que utiliza biomoléculas totalmente orgânicas e biodegradáveis para armazenar energia limpa sem depender de metais pesados.

O armazenamento de energia em grande escala é um dos maiores gargalos da transição energética. Baterias de íon de lítio convencionais são eficientes para eletrônicos e veículos elétricos, mas envolvem mineração tóxica e alto impacto ambiental. Para resolver isso, a resposta veio da própria biologia.

Pesquisadores da Universidade de Utah, nos Estados Unidos, criaram uma bateria de fluxo bioinspirada que imita o metabolismo do corpo humano, utilizando vitamina B2 (riboflavina) e glicose para armazenar e liberar eletricidade de forma limpa e sustentável.

Como funciona a bateria "metabólica"?

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As baterias de fluxo armazenam energia em eletrólitos líquidos contidos em tanques externos que passam por uma célula central onde ocorrem as reações eletroquímicas.

No protótipo desenvolvido pela equipe, o processo é diretamente espelhado nas rotas metabólicas que as nossas células usam para extrair energia dos alimentos:

  • Anólito (polo negativo): Utiliza derivados de glicose, atuando como o "combustível" primário.
  • Católito (polo positivo): Utiliza flavinas modificadas com base na vitamina B2, que atuam como aceitadores de elétrons — um papel idêntico ao que desempenham no nosso organismo durante a respiração celular.

Ao substituir metais pesados e compostos sintéticos nocivos (como o vanádio) por moléculas orgânicas abundantes na natureza, o sistema elimina os riscos de contaminação e reduz drasticamente o custo de matéria-prima.

Sustentabilidade real e biodegradabilidade

A grande vantagem desse ecossistema bio-inspirado é a facilidade de descarte e a ausência de toxicidade. Se uma bateria de fluxo tradicional vazar, os solventes e compostos metálicos podem contaminar o solo e os lençóis freáticos. Com este composto orgânico, os resíduos são biodegradáveis.

Além disso, as biomoléculas podem ser sintetizadas a partir de processos agrícolas e biomassas renováveis, reduzindo a dependência de cadeias de suprimentos complexas e geograficamente concentradas.

O caminho para a escala comercial

Apesar de o avanço ser um marco conceitual gigante para a química verde, a tecnologia ainda enfrenta desafios de estabilidade de longo prazo e densidade energética antes de chegar ao mercado.

Atualmente, o foco da equipe de Utah é otimizar a vida útil das biomoléculas para suportar milhares de ciclos sem degradação acelerada. Se bem-sucedida, a bateria metabólica surge como uma forte candidata para armazenar o excedente de usinas solares e eólicas na rede elétrica do futuro, provando que a natureza já tinha a solução perfeita para a energia muito antes de nós.

Matéria traduzida de Xataka*

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