Primeiro foi o currículo, depois o LinkedIn; agora, as empresas pedem outra coisa: gravar um TikTok como filtro de seleção

A busca por emprego mudou muito ao longo dos anos, e o formato em vídeo chegou para revolucionar (ou complicar) o processo para os candidatos

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Bárbara Castro

Redatora

Houve um tempo em que conseguir um emprego exigia entregar o currículo em papel impresso, de porta em porta. Anos depois, essa prática abriu espaço para os portais de emprego na internet e para o LinkedIn, a rede social profissional por excelência.

No entanto, o processo de seleção continua evoluindo — e, para a surpresa de muitos candidatos, a mais nova tendência entre os recrutadores envolve a criação de conteúdo em vídeo no estilo TikTok.

A ascensão do "currículo em vídeo"

Muitas empresas e agências de recrutamento começaram a pedir aos candidatos que enviem um vídeo curto — de um a dois minutos — se apresentando, explicando suas motivações e demonstrando por que seriam a escolha ideal para a vaga.

Inspirado na dinâmica de plataformas como TikTok e Instagram Reels, esse formato busca avaliar competências que um documento em PDF simplesmente não consegue transmitir:

  • Comunicação verbal e oratória: A clareza ao expressar ideias em público.
  • Presença e linguagem corporal: A postura e a naturalidade diante da câmera.
  • Criatividade e sintonia com o mundo digital: A capacidade de sintetizar informações de forma atraente e dinâmica.

Eficiência para o RH ou barreira de entrada?

Para os departamentos de Recursos Humanos, o modelo traz vantagens claras. Ele permite filtrar centenas de candidaturas rapidamente, economizando o tempo gasto em dezenas de entrevistas preliminares por telefone ou videochamada.

Por outro lado, o formato vem gerando controvérsia e divisão de opiniões entre os profissionais:

  • Os críticos: Argumentam que essa exigência beneficia desproporcionalmente perfis extrovertidos ou profissionais do marketing e do setor criativo, prejudicando candidatos qualificados que são mais tímidos ou introvertidos. Além disso, existe a preocupação de que o uso de vídeo possa aumentar o viés inconsciente de seleção (com base em aparência, idade ou vestuário) antes mesmo de uma análise técnica profunda.
  • Os defensores: Sustentam que o vídeo é uma oportunidade para quem tem pouca experiência no papel se destacar pela atitude, energia e paixão, oferecendo um espaço mais humano do que uma simples lista de experiências acadêmicas e profissionais.

Embora o currículo tradicional e o perfil do LinkedIn ainda sejam os pilares na busca por trabalho, o avanço da Geração Z no mercado profissional e o domínio dos formatos em vídeo curto estão transformando a contratação.

Seja como uma ferramenta complementar ou como um filtro eliminatório de entrada, a verdade é uma só: a capacidade de se comunicar bem diante das câmeras está se tornando uma habilidade cada vez mais valorizada no mercado de trabalho moderno.

Matéria traduzida de 3DJuegos*

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