Para as equipes que há 20 anos utilizam o gelo para estudar o nosso passado, descobrir peças de 6.000 anos atrás deve ser um verdadeiro presente para a arqueologia. No entanto, para a Secrets of the Ice — a equipe de arqueólogos que percorre as montanhas da Noruega recolhendo objetos do passado revelados pelo gelo —, essa recompensa começou a se tornar algo que já não traz alegria.
A questão é que, até pouco tempo atrás, os itens encontrados datavam de 2.000 anos atrás; contudo, as mudanças climáticas aceleraram o degelo, expondo vestígios de até 4.000 anos antes disso — ou seja, da Idade da Pedra e da Idade do Bronze. Isso representa um problema grave por vários motivos, e todos eles acabam pesando mais do que as informações sobre nossos antepassados que podemos extrair dessas descobertas.
Encontrar objetos mais antigos significa perder gelo mais antigo
A razão para isso é simples. Estamos falando de um gelo que permaneceu ali por cerca de 7.000 anos, imperturbável diante da evolução do mundo, e que agora está derretendo. Nada havia provocado tal efeito em quase 10.000 anos e, agora, nada pode detê-lo. É desolador ver a paisagem mudar sem que possamos fazer nada para impedir.
Vale acrescentar que a descoberta desses objetos não garante sua ida imediata para um museu. Como o gelo derrete mais rápido do que a arqueologia consegue resgatar os itens, muitas peças perdem a proteção do frio e da ausência de oxigênio, dando início a uma corrida frenética contra o tempo, na qual tudo se degrada em um ritmo insustentável para os especialistas.
Se o desaparecimento desse gelo continuar nesse ritmo, em 20 anos não restarão nem gelo nem vestígios arqueológicos. Já teremos visto tudo o que esse fenômeno preservou, pois a cápsula do tempo não estará apenas aberta: terá desaparecido por completo.
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