O Google Earth revelou um enorme geoglifo nos Andes: resta descobrir quem o construiu e por quê

Pesquisadores mantêm a localização exata em segredo para proteger o sítio arqueológico contra vandalismo e saques

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Bárbara Castro

Redatora

O Google Earth costuma ser uma ferramenta fantástica para explorar paisagens deslumbrantes pelo planeta, mas também se consolidou como uma janela para estruturas que a humanidade sequer sabia que existiam. O achado mais recente é um geoglifo ancestral nos Andes, que agora terá de ser minuciosamente explorado pelos cientistas, já que ainda não conta com nenhum estudo acadêmico aprofundado a seu respeito.

O achado nas alturas

As imagens de satélite revelaram um padrão geométrico incomum encravado na cordilheira: trata-se de um conjunto de estruturas circulares com diâmetros que variam entre 27 e 35 metros, todas conectadas por corredores. A principal hipótese levantada até o momento sugere que o complexo funcionava como um centro cerimonial andino, provavelmente erguido durante o Império Inca.

O interesse vai além da forma das construções. A equipe de arqueólogos relaciona o sítio ao Tambo de Ranchillos, no Vale de Uspallata — um entreposto histórico já amplamente documentado que assegurava as rotas de circulação incas rumo ao atual território do Chile. Ainda assim, os coordenadores do projeto pedem prudência: antes de conclusões definitivas, é necessário verificar o quanto a estrutura foi alterada pela passagem do tempo e avaliar os múltiplos usos que ela pode ter tido ao longo dos séculos.

A hora da investigação científica

Os trabalhos em campo contam com uma equipe multidisciplinar que inclui a colaboração de especialistas espanhóis por meio do Instituto Universitário de Pesquisa em Arqueologia Ibérica da Universidade de Jaén. Os pesquisadores não vão se limitar a uma inspeção visual de superfície: eles empregarão drones equipados com sensores capazes de mapear cada detalhe das estruturas com precisão milimétrica.

O projeto também fará análises químicas do solo para identificar vestígios de atividade humana antiga, além de coletar sedimentos e amostras botânicas que serão examinados em escala microscópica.

Segredo absoluto sobre a localização

Enquanto as investigações avançam, os cientistas mantêm as coordenadas geográficas em sigilo para evitar depredações e saques, o que tem gerado algumas informações desencontradas na imprensa. Sabe-se, até o momento, que o sítio está localizado a cerca de 3.000 metros de altitude e que o trajeto até lá é extremamente hostil, exigindo entre três e quatro dias de caminhada para se chegar ao local. Embora se aponte que a estrutura fique na província argentina de Mendoza, outros veículos de comunicação indicam que o perímetro se encontra na divisa com a província de San Juan.

Muito além das Linhas de Nazca

Sempre que o termo geoglifo vem à tona, a memória coletiva remete de imediato às famosas Linhas de Nazca, no Peru. No entanto, o contexto dos Andes meridionais traz paralelos bem mais coerentes. Pesquisas do arqueólogo Luis Briones no Deserto do Atacama mostraram que muitos dos geoglifos da região não foram feitos para serem admirados pelos deuses do céu, mas sim como marcos logísticos e referências de identidade para caravanas pré-hispânicas de lhamas. Analisar o novo achado sob a ótica dessas redes de circulação andinas é uma abordagem muito mais sólida do que traçar comparações precipitadas com as marcas peruanas.

No fim das contas, a descoberta reforça como a tecnologia transformou o trabalho arqueológico moderno. O uso de ferramentas como o Google Earth hoje permite mapear e enxergar regiões antes completamente inacessíveis. Essa metodologia tem precedentes ilustres: em 2011, pesquisadores revolucionaram a área ao catalogar quase 2.000 estruturas arqueológicas na Arábia Saudita, trabalhando exclusivamente com imagens obtidas do espaço.

Matéria traduzida por Xataka*

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