Aos 68 anos, o bilionário Mark Cuban discorda abertamente de Elon Musk sobre os rumos da robótica doméstica. Para o investidor, os robôs humanoides estão com os dias contados e devem desaparecer dentro de uma década, abrindo espaço para máquinas projetadas sob medida para tarefas específicas.
Por que os robôs humanoides são um erro, segundo Mark Cuban?
Durante uma participação na transmissão ao vivo TBPN e em mensagem reforçada no X (antigo Twitter), o antigo proprietário do Dallas Mavericks previu uma sobrevida muito curta — de apenas cinco a dez anos — para os autômatos com formato humano e para as companhias que investem neles. Segundo ele, o formato humano é simplesmente incompatível com as necessidades reais de uma casa. Além de trambolhosos e difíceis de projetar para desempenhar múltiplas funções, esses androides demandariam manutenção pesada e atualizações contínuas de software para operar corretamente.
Mark Cuban thinks human-shaped robots will fail within 5–10 years. Instead, Robot will be optimally shaped for whatever work environment they will work. Homes will be redesigned around specialised robots, with human living space kept separate https://t.co/2dPzKpo7Cx
— Rohan Paul (@rohanpaul_ai) September 27, 2026
“Você prefere ter um Roomba ou um robô humanoide empurrando um aspirador ou uma vassoura?”
Para o empresário, a resposta é óbvia: tentar replicar a anatomia humana para cumprir afazeres domésticos é uma péssima ideia disfarçada de inovação. Ele acredita que as máquinas inteligentes assumirão formatos muito mais práticos, citando como exemplo estruturas semelhantes a aranhas ou formigas, dotadas de braços mecânicos articulados para erguer e carregar peso com muito mais eficiência.
Como as nossas casas vão se adaptar aos futuros robôs?
O argumento central de quem defende a forma bípede baseia-se em um pressuposto comum: como nossos lares foram erguidos por e para seres humanos, os robôs deveriam ter o mesmo corpo para circular por eles. Cuban rebate essa visão resgatando a história da arquitetura residencial e a lógica da indústria.
“Todo mundo parte do princípio básico de que, 'já que vivemos em um mundo humano, os humanoides vão substituir as pessoas em várias funções, principalmente em casa'. E eu acho que não há a menor chance de isso acontecer. Se você olhar para os centros de distribuição e para o que a Amazon faz, não são robôs humanoides carregando caixas. São robôs desenvolvidos sob medida para aquele ambiente.”
Da mesma forma que as plantas dos imóveis foram reformuladas ao longo do último século para embutir geladeiras ou máquinas de lavar louça, as residências de amanhã serão repensadas para acomodar aparelhos autônomos especializados.
Elon Musk e a grande aposta no robô Optimus
Essa perspectiva colide diretamente com a visão de Elon Musk. O líder da Tesla reposicionou as prioridades estratégicas do grupo em torno da robótica e chegou a definir o projeto Optimus como o produto mais relevante de toda a trajetória da montadora. A ambição é tão monumental que uma fatia substancial do plano de remuneração atrelado a metas de cerca de US$ 1 trilhão previsto para o executivo depende da entrega de 1 milhão de robôs.
Para dar conta desse ritmo, a fabricante chegou a suspender a montagem de alguns carros elétricos em sua fábrica na Califórnia para canalizar esforços no Optimus. Embora a planta já entregue centenas de unidades semanalmente, o volume está muito distante da meta anual pretendida, esbarrando em sérios gargalos industriais — sobretudo na complexa montagem das mãos mecânicas.
O tempo dirá se esses investimentos bilionários se transformarão em um padrão de mercado ou se a leitura de Cuban sairá vencedora: aparelhos hiperespecializados e integrados ao cotidiano, em vez de cópias mecânicas da nossa própria anatomia.
Matéria traduzida de JeuxVideo*
Ver 0 Comentários