Depois de quase três décadas atravessando continentes, desertos e regiões congeladas, o britânico Karl Bushby, de 57 anos, chegou novamente ao Reino Unido. O ex-paraquedista cruzou o Canal da Mancha a nado, um dos últimos obstáculos da jornada que teve início em 1998, no Chile.
A expedição, batizada de Golias, foi planejada com duas regras: não utilizar meios de transporte para avançar pelo percurso e não voltar para casa, em Hull, na Inglaterra, antes de completar a viagem a pé.
Expedição Golias começou no Chile em 1998
Bushby iniciou a viagem em 1º de novembro de 1998, quando tinha 29 anos. A ideia surgiu após seus 12 anos de serviço militar e foi inspirada pela possibilidade de percorrer uma linha contínua entre o extremo sul da América do Sul e sua cidade natal, no norte da Inglaterra.
Percurso da Expedição Golias. Imagem: Wikimedia Commons
Ao longo do percurso, ele atravessou cerca de 29 países e percorreu aproximadamente 50 mil quilômetros. A jornada incluiu desafios como a passagem pela região de Darién, entre a Colômbia e o Panamá, e a travessia do Estreito de Bering, entre a Rússia e o Alasca, em condições de congelamento.
Ao cruzar o Estreito de Bering, sensação térmica chegava a -68°C. Foto: Divulgação/Karl Bushby
Bushby também passou cerca de 11 anos atravessando a Sibéria e outras regiões da Ásia. Restrições de visto, conflitos políticos, dificuldades financeiras e a pandemia de Covid-19 prolongaram uma expedição que ele imaginava concluir em aproximadamente 12 anos.
Jornada ao redor do mundo cruzou obstáculos extremos. Imagem de Karl na Rússia. Foto: Divulgação/Karl Bushby
Travessia de 288 km pelo Mar Cáspio
Em 2024, Bushby atravessou o Mar Cáspio a nado, em um percurso de aproximadamente 288 quilômetros, entre o Cazaquistão e o Azerbaijão. A travessia durou 31 dias e somou cerca de 132 horas dentro da água, com o apoio de outros nadadores e embarcações.
Karl enfrentou 288 quilômetros do Mar Cáspio, do Cazaquistão ao Azerbaijão. Foto: Divulgação/Karl Bushby
A alternativa foi necessária para evitar rotas terrestres por países que apresentavam dificuldades geopolíticas para a continuidade da expedição.
Britânico nadou por três dias para chegar à Inglaterra
Depois de chegar à Europa, Bushby seguiu em direção à França. Seu plano inicial era atravessar o Canal da Mancha pelo túnel de serviço do Eurotúnel, mas a solicitação foi recusada por razões de segurança e manutenção.
Sem autorização para usar o túnel, Bushby precisou organizar uma travessia a nado entre a França e o Reino Unido. A operação exigiu autorização especial das autoridades francesas e coordenação com as guardas costeiras dos dois países.
A travessia foi realizada ao longo de três dias, com aproximadamente 20 horas acumuladas na água. Bushby chegou à praia de Shakespeare, perto de Dover, em 5 de outubro de 2026, onde foi recebido pelo pai, pelos irmãos e por amigos.
O aventureiro contou que nadou de costas, usando roupa de neoprene, colete de flutuação e remos de mão. O método permitiu economizar energia durante os trechos de quatro horas, intercalados com períodos de descanso em uma embarcação de apoio.
“Karl está em casa. 28 anos depois, ele está em casa”, declarou após chegar ao território britânico, agradecendo às pessoas que o ajudaram durante a expedição.
Ainda faltam cerca de 400 km até a casa da mãe
Apesar de ter retornado ao Reino Unido, Bushby ainda não concluiu oficialmente o desafio. Sua cidade natal, Hull, fica a aproximadamente 400 quilômetros de Dover, e ele pretende percorrer o trecho restante a pé para cumprir as regras estabelecidas no início da viagem.
Bushby retornou ao Reino Unido 28 anos depois de sua partida. Foto: Divulgação/Karl Bushby
Ele não vê a mãe, Angela, de 75 anos, desde 2015. A intenção é encerrar a expedição na casa dela, o mesmo destino que definiu quando partiu do Chile quase três décadas atrás.
A jornada também será retratada em Walk of Life, documentário dirigido pelo cineasta Werner Herzog e produzido com o apoio da Westward Productions, que acompanha Bushby há 16 anos.
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